Home / Blog /

Como usar gestão de estoque para otimizar a margem de lucro

Como usar gestão de estoque para otimizar a margem de lucro

Escrito por: André Lima, Growth, Serena Energia

Principais lições deste artigo

  • Ter capital imobilizado em estoque e manter contratos de energia no mercado cativo reduzem de forma silenciosa a margem líquida e o EBITDA das empresas do Grupo A.

  • Seguir um processo estruturado em seis passos permite quantificar o capital preso em estoque, reduzir o DSI e liberar recursos de giro em poucas semanas.

  • Aplicar uma classificação ABC focada em margem de contribuição, em vez de receita, mostra quais SKUs sustentam a lucratividade e evita decisões baseadas apenas em volume.

  • Automatizar pontos de pedido e estoques mínimos no ERP, combinado com monitoramento contínuo, mantém os ganhos de margem e reduz o risco de rupturas ou excessos.

  • Usar o capital liberado para migrar para contratos de energia renovável com preço fixo no mercado livre de energia cria previsibilidade de custo e fortalece a competitividade.

Pré-requisitos

O processo exige dados consolidados e envolvimento das áreas certas.

Reúna:

  • faturas de energia dos últimos 12 meses e histórico de consumo em kWh por unidade consumidora

  • relatórios de estoque com saldo inicial, saldo final e custo das mercadorias vendidas (CMV) mensais

  • cadastro de SKUs com preço de custo, preço de venda e margem de contribuição unitária

  • registros de lead time por fornecedor e histórico de consumo médio diário por item

  • acesso ao ERP ou sistema de gestão de estoques da empresa

As áreas envolvidas são: financeiro, com dados de CMV, custo de capital e margem, operações, com consumo, lead time e armazenagem, e facilities ou utilidades, com faturas e perfil de consumo de energia.

Visão geral do processo

O processo segue seis macroetapas sequenciais: diagnóstico do capital preso em estoque, classificação ABC focada em margem, cálculo de giro e ponto de pedido, redução de perdas e obsolescência, automação e monitoramento contínuo.

Cada etapa gera insumos para a seguinte e produz indicadores mensuráveis que alimentam o painel de verificação de resultados.

Passo 1 – Diagnóstico do capital preso em estoque

Objetivo

Medir o volume de capital imobilizado em estoque e calcular o custo financeiro real que esse capital representa para a empresa.

Ações

Comece calculando o estoque médio do período: estoque médio = (estoque inicial + estoque final) / 2.

Em seguida, aplique o custo de carregamento ao valor obtido. O custo de manutenção de estoque costuma ficar entre 20% e 40% do valor do estoque ao ano, somando custo de oportunidade do capital, armazenagem, manuseio, seguros, obsolescência, perdas e administração. Multiplique o estoque médio pela taxa de carregamento aplicável ao setor para obter o custo anual do capital imobilizado.

Calcule também os Dias de Estoque (DSI): DSI = 365 / giro de estoque, em que giro = CMV / estoque médio. Reduzir o DSI de 90 para 45 dias em uma empresa com R$ 50 milhões em estoque médio libera R$ 25 milhões em capital de giro.

Responsáveis

Controller, com foco em dados financeiros, e gerente de operações, com foco em dados físicos de estoque.

Riscos e pontos de atenção

Em um ambiente de juros elevados como o brasileiro, o custo de oportunidade do capital imobilizado em estoque pressiona de forma direta as margens de empresas industriais. Use a taxa Selic vigente como referência mínima para o custo de oportunidade.

Com o volume de capital imobilizado agora quantificado, a empresa pode avaliar como redirecionar esses recursos para investimentos com retorno previsível, incluindo contratos de energia renovável com preço fixo. Descubra como converter o capital liberado em previsibilidade energética.

Vista aérea de uma vasta usina solar com longas fileiras de painéis fotovoltaicos captando a luz do pôr do sol.
O uso de usinas solares de grande escala permite captar energia com eficiência máxima, otimizando os créditos que reduzem drasticamente os custos fixos de empresas parceiras.

Passo 2 – Classificação ABC focada em margem

Objetivo

Reclassificar o portfólio de SKUs pela margem de contribuição, e não apenas pela receita, para identificar quais itens sustentam a lucratividade da operação.

Ações

A Curva ABC pode usar a margem de contribuição como critério e mostrar que um produto pode ser classe A por receita, mas apenas classe B por margem.

Para cada SKU, calcule: margem de contribuição unitária multiplicada pelo volume vendido no período, obtendo a margem de contribuição total. Ordene os itens em ordem decrescente e acumule os percentuais. Os itens que representam cerca de 80% da margem total formam a classe A. Os itens seguintes, que somam aproximadamente 15%, formam a classe B. Os itens restantes, com cerca de 5%, formam a classe C.

Focar a classificação ABC apenas na receita e ignorar a margem de contribuição leva a priorizar produtos de alta receita e baixo lucro líquido, enquanto itens de menor receita podem entregar rentabilidade superior. Cruzar a classificação com indicadores de giro e cobertura reduz o risco de decisões baseadas apenas em volume.

Responsáveis

Controller, responsável pela margem por SKU, e gerente de operações, responsável por volume e cobertura.

Riscos e pontos de atenção

Combinar a classificação ABC com o cálculo do Lote Econômico de Compra (EOQ) pode reduzir os custos de manutenção de estoque em até 30%. Itens classe C com baixo giro e baixa margem são candidatos prioritários à liquidação ou descontinuação.

Com a curva ABC orientada por margem, a empresa passa a ter um mapa claro de onde concentrar capital e esforço operacional. Veja como estruturar um contrato de energia que se encaixa no seu planejamento financeiro.

Paisagem de um parque de energia renovável ao pôr do sol, apresentando grandes turbinas eólicas e vastas fileiras de painéis solares sobre colinas.
A combinação estratégica de fontes eólicas e solares maximiza a geração de energia limpa, garantindo maior estabilidade e eficiência para o suprimento do Mercado Livre.

Passo 3 – Cálculo de giro e ponto de pedido

Objetivo

Definir parâmetros quantitativos de reposição para cada classe de SKU e reduzir tanto o excesso quanto a ruptura de estoque.

Ações

Para cada item, calcule primeiro o estoque mínimo, que é a quantidade necessária para cobrir o lead time de reposição:

  • estoque mínimo = consumo médio diário × lead time (em dias)

Em seguida, calcule o estoque de segurança, que adiciona uma margem para absorver variações de demanda:

  • estoque de segurança = (consumo máximo diário – consumo médio diário) × lead time

Por fim, combine os dois para definir o ponto de pedido, que é o nível de estoque que dispara a reposição:

  • ponto de pedido = estoque mínimo + (consumo médio diário × lead time)

Para um produto com consumo médio de 15 unidades por dia e lead time de 6 dias, o estoque mínimo é 90 unidades. Com consumo máximo de 20 unidades, o estoque de segurança adiciona 30 unidades, elevando o ponto de pedido para 180 unidades.

Aplique limites mais rígidos para itens classe A e regras simplificadas para classe C, seguindo a priorização definida no passo anterior.

Responsáveis

Gerente de operações, responsável por lead times e consumo, e controller, responsável pela validação financeira dos lotes.

Riscos e pontos de atenção

A sazonalidade exige revisão periódica dos limites máximos com base no histórico de vendas do mesmo período do ano anterior. Limites fixos anuais tendem a gerar rupturas em picos de demanda e acúmulo excessivo em períodos de baixa.

Passo 4 – Redução de perdas e obsolescência

Objetivo

Eliminar itens obsoletos, vencidos ou de baixíssimo giro que consomem espaço, capital e recursos administrativos sem contribuir para a margem.

Ações

Realize um inventário físico cruzado com o sistema para identificar divergências. Aumentar a acurácia do estoque reduz custos associados a rupturas e excesso de estoque.

Para itens obsoletos, defina um plano de liquidação, doação ou descarte, com impacto contábil mapeado.

Empresas brasileiras de varejo e indústria perdem em média cerca de 1,5% da receita anual com problemas de estoque, como rupturas, obsolescência, vencimentos, furtos e armazenagem ineficiente. Para uma empresa com R$ 100 milhões de receita, o índice médio de perdas no varejo brasileiro equivale a cerca de R$ 1,51 milhão.

Responsáveis

Gerente de operações, responsável pelo inventário físico, e controller, responsável pelo impacto contábil e fiscal.

Riscos e pontos de atenção

Registrar perdas por obsolescência como custo operacional reduz diretamente o EBITDA. Mapear esses lançamentos antes do fechamento contábil abre espaço para ações corretivas no mesmo exercício.

Passo 5 – Automação

Objetivo

Parametrizar o ERP ou sistema de gestão com pontos de pedido, estoques mínimos e classificações ABC definidos nas etapas anteriores, reduzindo a dependência de controles manuais.

Ações

Insira no sistema de gestão os parâmetros calculados, como ponto de pedido, estoque mínimo, estoque de segurança e lote de compra. Configure alertas automáticos para quando o saldo de itens classe A atingir o ponto de pedido.

A análise de demanda com suporte de ferramentas analíticas pode reduzir os níveis de estoque entre 20% e 30%, liberando capital de giro e reduzindo custos de armazenagem.

Para empresas com múltiplas unidades consumidoras, integrar o módulo de gestão de energia ao ERP permite correlacionar picos de consumo energético com ciclos de produção e reposição de estoque.

Um único aerogerador branco se destaca em meio a uma densa camada de neblina ou nuvens, iluminado pela luz suave do pôr do sol.
A tecnologia eólica avançada permite que a Serena Energia capture ventos constantes em grandes altitudes, garantindo uma fonte de energia limpa, estável e eficiente para o seu negócio.

Responsáveis

TI ou analista de sistemas, responsável pela parametrização, gerente de operações, responsável pela validação dos parâmetros, e controller, responsável pela aprovação dos lotes financeiros.

Riscos e pontos de atenção

Parametrizar lead times ou consumo médio com dados desatualizados gera alertas falsos e mantém problemas de excesso ou ruptura. Valide os parâmetros com dados reais dos últimos 12 meses antes de ativar os alertas automáticos.

Passo 6 – Monitoramento contínuo

Objetivo

Criar uma rotina de revisão periódica dos indicadores de estoque e margem para sustentar os ganhos obtidos nas etapas anteriores.

Ações

Defina uma cadência semanal de revisão dos principais KPIs em planilha ou no ERP. Reclassifique a curva ABC de forma trimestral ou sempre que houver mudança relevante no mix de produtos ou na estrutura de custos.

Revise os parâmetros de ponto de pedido de forma semestral ou após variações significativas de lead time ou sazonalidade.

Responsáveis

Controller, responsável pelos KPIs financeiros, e gerente de operações, responsável pelos KPIs operacionais, com reporte mensal ao diretor financeiro.

Riscos e pontos de atenção

Deixar de revisar os parâmetros faz com que as regras definidas nas etapas anteriores se tornem obsoletas à medida que o mix de produtos e os padrões de demanda mudam, o que reduz os ganhos de margem.

Erros comuns

A tabela a seguir resume erros frequentes na implementação do processo e as ações corretivas recomendadas.

Erro frequente

Como corrigir

Classificar a curva ABC apenas por receita e ignorar a margem de contribuição

Recalcular a classificação usando margem de contribuição total por SKU como critério principal

Não integrar o perfil de consumo energético ao planejamento de produção e reposição

Cruzar o histórico de kWh por turno com os ciclos de reposição para identificar picos de custo evitáveis

Parametrizar o sistema com lead times desatualizados ou consumo médio de períodos atípicos

Usar os últimos 12 meses de dados reais e excluir períodos de parada programada ou eventos extraordinários

Tratar o custo de carregamento como fixo e não atualizar pela taxa de juros vigente

Revisar o custo de oportunidade do capital de forma semestral, sobretudo em cenários de Selic elevada

Verificação de resultados

Monitorar KPIs de forma consistente consolida os ganhos de capital de giro e margem.

Os KPIs a serem acompanhados semanalmente são:

  • giro de estoque = CMV / estoque médio, com meta de crescimento trimestral em relação ao baseline do diagnóstico

  • dias de estoque (DSI) = 365 / giro, com meta de redução progressiva em direção ao benchmark setorial

  • custo de capital imobilizado = estoque médio × taxa de carregamento anual, com meta de redução absoluta em reais

  • variação mensal da margem de contribuição por classe ABC, com meta de aumento da participação de itens classe A por margem

A tabela abaixo reúne os principais indicadores, suas fórmulas e referências setoriais para apoiar a comparação do desempenho da empresa com o padrão da indústria.

Indicador

Fórmula

Referência setorial (indústria)

Giro de estoque

CMV / estoque médio

2,5x a 4x

DSI (dias de estoque)

365 / giro

Meta: redução progressiva, conforme exemplo do Passo 1

Custo de carregamento anual

Estoque médio × taxa (20% a 40%)

20% a 40% do valor do estoque ao ano

Ao consolidar esses indicadores, a empresa enxerga quanto capital de giro foi liberado e qual parte pode sustentar contratos de energia com preço fixo. Transforme os ganhos de margem em economia de energia com preço fixo.

Perfil lateral de um trabalhador em um parque eólico, com o sol ao fundo e diversas turbinas eólicas estendendo-se pelo horizonte.
A dedicação de profissionais qualificados no campo é o que garante a eficiência e a disponibilidade constante da energia limpa que impulsiona os negócios dos nossos clientes.

Opções avançadas

Empresas do Grupo A com múltiplas unidades consumidoras podem aplicar o processo de diagnóstico e classificação ABC por unidade e consolidar os resultados em um painel único.

A integração entre o sistema de gestão de estoques e um sistema de gestão de energia permite correlacionar o consumo de kWh por linha de produção com o custo de carregamento de cada categoria de SKU, identificando onde a energia representa parcela relevante do custo de armazenagem.

Nesse contexto, migrar para o mercado livre de energia com a Serena Energia, uma das maiores geradoras de energia eólica e solar criadas nas Américas, adiciona uma camada de previsibilidade que complementa os ganhos de margem obtidos pela gestão de estoque. Contratos de longo prazo com preço acordado antecipadamente reduzem a incerteza das bandeiras tarifárias do mercado cativo e tornam o planejamento orçamentário de energia tão previsível quanto os parâmetros de ponto de pedido definidos no Passo 3.

A Serena Energia gerencia todo o processo de migração, incluindo o registro na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) e a instalação dos equipamentos de medição, sem custo adicional para o cliente.

Silhueta de várias turbinas eólicas alinhadas ao longo da costa durante um pôr do sol colorido, com reflexos na água.
A exploração de recursos naturais, como os ventos costeiros, é essencial para manter a escala e a sustentabilidade necessárias no Mercado Livre de Energia.

Perguntas frequentes

Empresas do Grupo A com qualquer nível de consumo podem aplicar este processo?

Sim. O processo de gestão de estoque descrito neste guia se aplica a qualquer empresa do Grupo A, que reúne consumidores de média e alta tensão, independentemente do volume de consumo energético. Desde janeiro de 2024, todas as empresas do Grupo A podem migrar para o mercado livre de energia, sem exigência de consumo mínimo.

Quanto tempo leva para ver resultados financeiros após implementar o processo?

Os primeiros resultados mensuráveis, como redução do DSI e do custo de capital imobilizado, aparecem nas primeiras semanas após a parametrização do sistema no Passo 5, desde que os dados de diagnóstico do Passo 1 estejam disponíveis.

A melhora na margem de contribuição por SKU costuma ficar visível no fechamento do primeiro mês após a reclassificação ABC. A migração para o mercado livre de energia com a Serena Energia leva até seis meses a partir da assinatura do contrato, período em que a Serena conduz o processo burocrático.

Quais áreas internas precisam estar envolvidas para que o processo funcione?

O processo exige colaboração entre financeiro, responsável por CMV, margem e custo de capital, operações, responsável por lead times, consumo e armazenagem, e facilities ou utilidades, responsável por faturas e perfil de consumo de energia.

O diretor financeiro ou controller deve liderar a iniciativa, e o gerente de operações tende a assumir a execução dos Passos 3 a 5. A integração entre essas áreas é o principal fator de sucesso, sobretudo para relacionar o custo de energia ao custo de carregamento de estoque.

A gestão de estoque e a migração para o mercado livre de energia podem ser implementadas simultaneamente?

Sim. A simultaneidade costuma ser estratégica. O processo de gestão de estoque libera capital de giro em semanas, enquanto a migração para o mercado livre de energia com a Serena Energia leva até seis meses.

Iniciar os dois processos ao mesmo tempo faz com que, quando a empresa começar a economizar na conta de energia, o capital de giro já esteja parcialmente liberado pelo estoque, o que gera efeito combinado sobre a margem líquida e o EBITDA.

Como a Serena Energia atua no mercado livre de energia para empresas do Grupo A?

A Serena Energia conecta empresas do Grupo A ao mercado livre de energia por meio de contratos com preço acordado antecipadamente, o que reduz a exposição às bandeiras tarifárias do mercado cativo.

A empresa gerencia todo o processo de migração, do registro na CCEE à instalação dos equipamentos de medição, sem custo adicional para o cliente. Após a migração, a Serena Energia representa a empresa perante a CCEE no modelo varejista e disponibiliza um painel digital para acompanhamento da economia mensal. A energia fornecida é 100% renovável, com emissão de Certificados de Energia Renovável (I-RECs) para relatórios de sustentabilidade.

Conclusão

Ter capital imobilizado em estoque e lidar com custo imprevisível de energia cria dois drenos de margem que atuam em paralelo nas empresas do Grupo A. O processo em seis passos apresentado neste guia, do diagnóstico à automação e ao monitoramento contínuo, oferece um caminho quantificável para liberar capital de giro, reduzir o DSI e melhorar a margem de contribuição por SKU usando dados e ferramentas que a maioria das empresas já possui.

Direcionar o capital liberado pela otimização do estoque para contratos de energia renovável com preço fixo no mercado livre de energia cria previsibilidade em uma linha de custo que, no mercado cativo, permanece sujeita a reajustes que dificultam o planejamento de longo prazo. A Serena Energia, com mais de 17 anos de história e presença em todo o Brasil, oferece essa previsibilidade com migração gerenciada, sem custo adicional e potencial de economia relevante em relação ao mercado cativo.

Conheça como a Serena Energia pode complementar os ganhos de margem da sua gestão de estoque com um contrato de energia renovável alinhado à realidade do seu negócio.

Últimos posts

Receba as  novidades da  Serena e do mercado de   energia!

Assine nossa newsletter