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Como usar energia renovável para reduzir custos no Grupo A

Como usar energia renovável para reduzir custos no Grupo A

Escrito por: André Lima, Growth, Serena Energia

Principais lições deste artigo

  • Empresas do Grupo A enfrentam oscilação de custos de energia por causa de bandeiras tarifárias e reajustes anuais, o que compromete planejamento financeiro e operacional.
  • Contratos bilaterais no mercado livre de energia permitem fixar preço e prazo diretamente com geradores, reduzindo a exposição às variações do mercado regulado.
  • Entre as alternativas de energia renovável, os contratos bilaterais destacam-se por oferecer alta previsibilidade de custo, baixa complexidade operacional e certificação I-REC sem exigir investimento em infraestrutura própria.
  • O processo de migração envolve sete etapas claras: diagnóstico de consumo, verificação de elegibilidade, análise técnica, contratação, adequação técnica, ativação e monitoramento, com prazo regulatório de seis meses.
  • Para estruturar essa transição e obter um estudo de viabilidade personalizado, fale com um de nossos consultores da Serena Energia.

A dimensão do problema

A oscilação da conta de luz em empresas do Grupo A tem quatro dimensões que se reforçam mutuamente.

A dimensão financeira é a mais visível. O sistema de bandeiras tarifárias acrescenta encargos variáveis ao custo da energia conforme a situação dos reservatórios hídricos. Além dessa variação mensal, os reajustes anuais das distribuidoras adicionam uma camada de imprevisibilidade estrutural. Juntos, esses dois mecanismos fazem com que o orçamento aprovado no início do ano possa estar desatualizado já no segundo trimestre.

A dimensão operacional afeta diretamente gerentes de planta e de facilities. Quando o custo de energia oscila de forma acentuada, decisões sobre turnos, capacidade produtiva e manutenção preventiva passam a ser influenciadas por uma variável externa que a empresa não controla. Em setores com alto consumo contínuo, como alimentos e bebidas, farmacêutico e químico, essa exposição torna a gestão do dia a dia mais complexa.

A dimensão de planejamento impacta toda a cadeia de decisão financeira. Sem previsibilidade no custo de energia, a precificação de produtos e serviços passa a incluir uma margem de incerteza que corrói a competitividade. Contratos de longo prazo com clientes ficam mais difíceis de estruturar quando um dos principais componentes de custo permanece indefinido.

A dimensão de sustentabilidade fecha o quadro. Investidores, clientes corporativos e reguladores exigem cada vez mais que empresas comprovem a origem renovável de sua energia. Sem um contrato que certifique essa origem, relatórios de ESG ficam incompletos e metas de redução de emissões de Escopo 2 permanecem sem resposta concreta. Um relatório da CDP de 2024 identificou que quase metade das empresas analisadas não utiliza nenhuma energia renovável.

Diante dessas quatro dimensões interligadas, empresas do Grupo A precisam avaliar alternativas que tratem ao mesmo tempo a oscilação de custos e a comprovação de origem renovável.

Categorias de solução em energia renovável

Empresas do Grupo A que buscam reduzir a oscilação da conta de luz e adotar energia renovável têm três caminhos principais disponíveis. Cada um apresenta características específicas de investimento, complexidade e adequação operacional.

Paisagem de um parque de energia renovável ao pôr do sol, apresentando grandes turbinas eólicas e vastas fileiras de painéis solares sobre colinas.
A combinação estratégica de fontes eólicas e solares maximiza a geração de energia limpa, garantindo maior estabilidade e eficiência para o suprimento do Mercado Livre.

A instalação própria de geração consiste em construir ou financiar uma usina ou sistema de geração diretamente vinculado à operação da empresa. Essa modalidade exige investimento de capital significativo e envolve prazos de implantação que podem se estender por meses ou anos, dependendo do porte e da localização. A empresa assume a responsabilidade pela operação e manutenção da infraestrutura ao longo de décadas. Essa decisão é estratégica de longo prazo e costuma exigir expertise técnica fora do core business da maioria das empresas.

Os modelos de contratação por uso compartilhado de geração permitem que empresas acessem energia renovável de fontes externas sem instalar equipamentos próprios. Nesse formato, a empresa contrata uma fração da geração de um parque existente e recebe créditos correspondentes em sua fatura. O investimento inicial é menor ou inexistente, mas as condições contratuais, os descontos aplicáveis e a flexibilidade variam conforme o modelo e o fornecedor.

Os contratos bilaterais de compra de energia no mercado livre de energia são acordos diretos entre a empresa consumidora e um gerador ou comercializador, negociados fora do ambiente regulado. Nesse modelo, preço, prazo, volume e fonte são definidos em contrato. A empresa continua dependendo da distribuidora local para a entrega física da eletricidade, que permanece responsável pela rede e pelos fios, mas o preço da energia é acordado antecipadamente. Essa estrutura reduz a exposição às bandeiras tarifárias na parcela de energia. Para participar, a empresa precisa ser do Grupo A, ou seja, conectada em média ou alta tensão. Não há consumo mínimo exigido além dessa condição.

Silhueta de várias turbinas eólicas alinhadas ao longo da costa durante um pôr do sol colorido, com reflexos na água.
A exploração de recursos naturais, como os ventos costeiros, é essencial para manter a escala e a sustentabilidade necessárias no Mercado Livre de Energia.

Comparação entre as alternativas

A tabela a seguir compara as três categorias de solução em dimensões relevantes para gestores financeiros e operacionais de empresas do Grupo A.

Dimensão Instalação própria Uso compartilhado de geração Contrato bilateral no mercado livre de energia
Investimento inicial Alto, investimento significativo de capital Baixo ou nulo para o contratante Custos de adequação de medição, geralmente assumidos pelo fornecedor no modelo varejista
Prazo até o início da operação 3 a 18 meses para instalação física, mais 12 a 36 meses para licenciamento e aprovações regulatórias Variável conforme o modelo e o fornecedor 6 meses, prazo regulatório para encerramento do contrato com a distribuidora
Previsibilidade de custo Alta após amortização do investimento, exposta a custos de O&M e reposição de equipamentos Parcial, desconto aplicado sobre a parcela de consumo, não sobre a fatura total Alta, preço da energia acordado em contrato de 3 a 5 anos, independente de bandeiras tarifárias nessa parcela
Complexidade operacional para a empresa Alta, exige gestão de infraestrutura, manutenção e expertise técnica contínua Baixa a média, depende do modelo contratado Baixa no modelo varejista, o comercializador representa a empresa na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica)
Certificação de origem renovável Possível, mediante solicitação de I-RECs Dependente do contrato e do fornecedor Disponível, I-RECs emitidos por MWh consumido
Flexibilidade contratual Baixa, ativo imobilizado por décadas Variável Faixa de ajuste de 5% a 10% do volume contratado, diferenças liquidadas no mercado de curto prazo

Essa combinação de atributos explica por que contratos bilaterais são a escolha mais comum entre empresas do Grupo A que buscam reduzir a oscilação de custos sem assumir responsabilidade por infraestrutura de geração. A instalação própria pode fazer sentido para grandes consumidores com perfil técnico e horizonte de planejamento muito longo, mas envolve uma decisão de capital que vai além da gestão de energia.

Vista aérea de uma vasta usina solar com longas fileiras de painéis fotovoltaicos captando a luz do pôr do sol.
O uso de usinas solares de grande escala permite captar energia com eficiência máxima, otimizando os créditos que reduzem drasticamente os custos fixos de empresas parceiras.

Passo a passo para avaliar e implementar

1. Diagnóstico do perfil de consumo

O ponto de partida é reunir as faturas dos últimos 12 meses e mapear o consumo mensal em kWh, a demanda contratada, os horários de ponta e fora ponta e as sazonalidades. Esse levantamento revela o perfil real de consumo e serve como insumo principal para qualquer estudo de viabilidade.

2. Verificação de elegibilidade

A empresa precisa confirmar que está no Grupo A, formado por consumidores de média ou alta tensão, conforme mencionado anteriormente. A verificação é feita a partir da própria fatura, que indica o grupo tarifário e a tensão de fornecimento.

3. Análise técnica e financeira

Com o perfil de consumo em mãos, o próximo passo é solicitar um estudo de viabilidade a um comercializador ou gerador com atuação no mercado livre de energia. O estudo projeta a economia esperada, o prazo contratual recomendado e as condições de flexibilidade. Nessa etapa, é importante comparar propostas e avaliar se o fornecedor tem geração própria, o que reduz a dependência de terceiros e aumenta a solidez do fornecimento, ou se apenas revende energia comprada no mercado.

4. Contratação

O contrato bilateral define preço, prazo, volume, fonte e condições de ajuste. Contratos no mercado livre de energia têm duração típica de 3 a 5 anos. Boas práticas de governança incluem revisar cláusulas de flexibilidade, condições de rescisão e responsabilidades de cada parte antes da assinatura. Um erro comum nessa etapa é focar apenas no preço e não avaliar a solidez financeira e operacional do fornecedor.

5. Adequações técnicas

A participação no mercado livre de energia exige a instalação de um sistema de medição compatível com a medição horária obrigatória. No modelo varejista, esse processo costuma ser conduzido e custeado pelo comercializador. Confirmar essa responsabilidade antes de assinar o contrato reduz o risco de custos adicionais.

6. Ativação

O prazo regulatório entre a notificação à distribuidora e o início do fornecimento no mercado livre de energia é de 6 meses. A economia começa na primeira fatura após a conclusão da migração. Planejar com antecedência é fundamental, porque quanto antes o processo começa, mais cedo a empresa passa a operar com custo de energia acordado.

7. Monitoramento contínuo

Após a migração, o acompanhamento mensal do consumo realizado em relação ao volume contratado é essencial para reduzir a exposição ao mercado de curto prazo fora da faixa de flexibilidade contratual. Ferramentas de gestão que comparam o custo no mercado livre de energia com o que seria pago no mercado regulado permitem quantificar a economia e alimentar relatórios financeiros e de sustentabilidade.

Tratar o contrato como uma decisão encerrada é o erro mais comum após a migração. O monitoramento ativo permite identificar desvios de consumo, antecipar ajustes e aproveitar oportunidades de revisão contratual ao longo do prazo.

Se sua empresa está nas etapas iniciais desse processo, fale com um de nossos consultores para estruturar o diagnóstico e o estudo de viabilidade sem custo.

Exemplos ilustrativos por setor

Os casos a seguir são hipotéticos e representam perfis agregados de empresas do Grupo A em diferentes setores. Não há referência a empresas reais ou a números específicos de economia.

Uma indústria de alimentos com operação contínua em três turnos tem consumo elevado e relativamente estável ao longo do ano. Para esse perfil, a principal dor é a oscilação da fatura causada pelas bandeiras tarifárias em períodos de escassez hídrica. Um contrato bilateral de longo prazo no mercado livre de energia reduz essa exposição na parcela de energia e permite que o gestor financeiro orce o custo de energia com mais precisão para os próximos anos.

Uma rede de unidades comerciais distribuídas em diferentes estados enfrenta o desafio adicional de gerenciar múltiplas distribuidoras e estruturas tarifárias distintas. A migração para o mercado livre de energia com um único fornecedor centraliza a gestão e simplifica o faturamento. Esse movimento também permite que a empresa reporte consumo de energia renovável certificada em todas as unidades para fins de ESG.

Uma empresa do setor farmacêutico com metas públicas de redução de emissões de Escopo 2 precisa de mais do que um contrato de energia com custo menor. Precisa de certificação auditável da origem renovável. Contratos no mercado livre de energia com emissão de I-RECs atendem diretamente essa necessidade, fornecendo o documento rastreável que comprova, por MWh consumido, que a energia veio de fonte limpa.

Uma empresa do setor logístico com consumo sazonal, com picos no segundo semestre e menor demanda no primeiro, se beneficia da flexibilidade contratual típica dos contratos bilaterais. Essa flexibilidade permite variação de 5% a 10% do volume acordado sem penalidades, com diferenças liquidadas no mercado de curto prazo.

Perguntas frequentes

O que diferencia um contrato no mercado livre de energia de continuar no mercado regulado?

No mercado regulado, o preço da energia é definido pela distribuidora local e sujeito a reajustes anuais e ao sistema de bandeiras tarifárias, que variam conforme a situação dos reservatórios hídricos. No mercado livre de energia, a empresa negocia diretamente com um gerador ou comercializador e acorda o preço da energia antecipadamente, em contrato de prazo definido. A distribuidora local continua responsável pela entrega física da eletricidade, os fios e a rede não mudam. O que muda é de quem a empresa compra a energia e como esse preço é formado.

Qualquer empresa do Grupo A pode migrar para o mercado livre de energia?

Sim. Conforme explicado anteriormente, o Grupo A reúne consumidores de média e alta tensão e, desde janeiro de 2024, não há consumo mínimo exigido para migração. A verificação é simples: basta identificar na própria fatura o grupo tarifário e a tensão de fornecimento.

Quanto tempo leva a migração e quando a empresa começa a ter custo de energia acordado?

Conforme detalhado no passo a passo, o prazo entre a notificação à distribuidora e o início do fornecimento no mercado livre de energia é de 6 meses, fixo por exigência legal de encerramento do contrato com a distribuidora. Por isso, iniciar o processo o quanto antes é a decisão mais eficiente do ponto de vista financeiro.

O que são I-RECs e por que são relevantes para relatórios de ESG?

I-RECs, International Renewable Energy Certificates, são certificados digitais rastreáveis que comprovam que 1 MWh de energia foi gerado por uma fonte renovável e injetado na rede. Para cada MWh consumido sob um contrato com emissão de I-RECs, a empresa recebe um certificado que comprova a origem limpa dessa energia. Esse documento é reconhecido globalmente e é uma das principais ferramentas para zerar as emissões de Escopo 2 em relatórios de sustentabilidade, atendendo às exigências de investidores, clientes corporativos e frameworks como o GHG Protocol.

O que acontece se a empresa consumir mais ou menos do que o volume contratado?

Os contratos bilaterais no mercado livre de energia preveem uma faixa de flexibilidade, geralmente entre 5% e 10% do volume acordado. Consumo dentro dessa faixa não gera penalidades. Quando o consumo fica fora da faixa, para mais ou para menos, a diferença é liquidada no mercado de curto prazo, ao preço vigente naquele período. Uma gestão ativa do consumo, com acompanhamento mensal do realizado versus o contratado, é a principal ferramenta para reduzir essa exposição.

Conclusão: próximos passos para sua empresa

A oscilação da conta de luz em empresas do Grupo A é consequência estrutural do mercado regulado, em que o preço da energia é definido por fatores externos à empresa, como hidrologia, reajustes tarifários e encargos setoriais, e não por uma negociação direta entre as partes.

Contratos bilaterais de energia renovável no mercado livre de energia oferecem uma alternativa concreta. Esses contratos permitem preço acordado antecipadamente, certificação de origem renovável com I-RECs e gestão simplificada no modelo varejista, sem exigir instalação de equipamentos ou imobilização de capital em infraestrutura própria. O relatório da IRENA sobre custos de geração renovável em 2025 aponta que mais de 90% da capacidade renovável adicionada naquele ano foi mais barata do que a alternativa de menor custo em combustíveis fósseis, o que reforça a tendência de contratos renováveis cada vez mais competitivos para empresas.

Um único aerogerador branco se destaca em meio a uma densa camada de neblina ou nuvens, iluminado pela luz suave do pôr do sol.
A tecnologia eólica avançada permite que a Serena Energia capture ventos constantes em grandes altitudes, garantindo uma fonte de energia limpa, estável e eficiente para o seu negócio.

Para avaliar se sua empresa está pronta para migrar, o ponto de partida é organizar as faturas dos últimos 12 meses e identificar o perfil de consumo, com volume mensal, demanda contratada e sazonalidades. Esse levantamento é o insumo de qualquer estudo de viabilidade e pode ser feito internamente antes de qualquer contato com fornecedores.

A Serena Energia está entre as maiores geradoras de energia eólica e solar criadas nas Américas, com mais de 17 anos de história, 17 plantas operacionais e integração vertical entre geração e comercialização. Atende empresas do Grupo A em todo o Brasil, com clientes como Heineken, Cargill, Eurofarma e Bayer. No modelo varejista, conduz todo o processo de migração, incluindo registro na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) e adequação do sistema de medição, sem custo adicional para clientes sob sua gestão.

Fale com um de nossos consultores e receba um estudo de viabilidade baseado no perfil de consumo da sua empresa.

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