Escrito por: André Lima, Growth, Serena Energia | Última atualização: 22 de julho de 2026
Principais lições deste artigo
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A integração compliance-ESG unifica políticas anticorrupção, gestão de riscos e métricas de sustentabilidade em um único framework, o que reduz custos, multas e riscos regulatórios.
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Empresas do Grupo A enfrentam pressão regulatória crescente e precisam transformar essa exigência em vantagem competitiva mensurável com indicadores auditáveis.
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Realizar due diligence contínua em fornecedores, combater o ESG washing e certificar de forma rastreável a energia renovável consumida são pilares essenciais para evitar sanções e perda de credibilidade.
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Adotar I-RECs emitidos por geradores com rastreabilidade completa permite declarar consumo 100% renovável e atender a frameworks como GHG Protocol, CDP, GRI e IFRS S2.
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Para implementar essas práticas com segurança e rastreabilidade, entre em contato com a Serena Energia.
Cenário atual de compliance e ESG no Brasil e por que a integração se tornou prioridade para o Grupo A
Empresas do Grupo A, com fornecimento em média e alta tensão, operam sob pressão regulatória crescente. A 6ª edição da Pesquisa de Maturidade de Compliance no Brasil da KPMG, com 106 organizações, identifica questões ESG como um dos principais riscos de compliance. Ao mesmo tempo, a pesquisa ESG Latin America Landscape 2024 da RSM mostra que 65% das empresas brasileiras não estão preparadas para adotar as normas IFRS S1 e S2.
A convergência entre compliance e ESG se consolidou como critério objetivo de qualificação em licitações, acesso a capital e relacionamento com fornecedores globais. Para controllers, CFOs e gestores de ESG, o desafio central é transformar essa pressão em vantagem competitiva mensurável. As sete tendências a seguir mostram como estruturar essa transformação de forma prática e auditável.
7 tendências principais de compliance e ESG integrados (2025-2026)
1. Integração real entre compliance e ESG
O que muda: Em 2026, a convergência entre programas de compliance tradicionais e objetivos ESG se intensifica no Brasil, o que unifica políticas anticorrupção, gestão de riscos e métricas de sustentabilidade em um único framework estratégico.
Por que importa: Empresas que integram ESG ao compliance reduzem custos ao diminuir desperdícios e emissões, aumentam retenção de talentos e previnem multas e perdas por corrupção. O RSM ESG Latin America Landscape 2024 aponta que 47% das empresas brasileiras enfrentam dificuldades na definição de indicadores de desempenho (KPIs).
Como implementar: Nomear um responsável dedicado à integração compliance-ESG, mapear sobreposições entre políticas anticorrupção e metas socioambientais e estabelecer um painel unificado com 8 a 12 indicadores-chave revisados trimestralmente.
2. Exigências de due diligence em cadeia de fornecedores
O que muda: A due diligence ESG de fornecedores no Brasil evoluiu para um processo contínuo que exige critérios objetivos de homologação, monitoramento periódico documentado, rastreabilidade das avaliações e gestão de evidências, o que supera a análise documental única inicial.
Por que importa: A Diretiva CS3D da União Europeia exige due diligence obrigatória em toda a cadeia de valor de empresas que operam ou vendem para a UE, o que afeta exportadores e multinacionais brasileiras. Em muitos setores, mais de 70% das emissões de carbono estão no Escopo 3, o que torna a gestão da cadeia de fornecedores essencial para estratégias de descarbonização.
Como implementar: Criar um mapa de risco por categoria e criticidade de fornecedor, incluir cláusulas anticorrupção e socioambientais nos contratos e adotar plataformas digitais que cruzem dados de fornecedores com bases de risco externas em tempo real.
3. Combate a ESG washing com métricas auditáveis
O que muda: O estudo “Greenwashing no Brasil” de 2024, conduzido pela Market Analysis Brasil com apoio do Instituto Akatu, identificou que 85% das alegações ambientais em produtos vendidos no Brasil são falsas ou enganosas. A CVM intensifica a supervisão contra greenwashing por meio do Plano de Ação de Finanças Sustentáveis 2025-2026, o que exige que funções de compliance revisem todas as comunicações rotuladas como sustentáveis.
Por que importa: A pesquisa EY Global Institutional Investor Survey 2024 mostra que 85% de 350 investidores institucionais percebem aumento do problema de greenwashing nos últimos cinco anos. Nessa mesma análise, Ricardo Assumpção, Sustainability Leader da EY para a América Latina, destaca que muitas alegações permanecem vagas e sem materialidade, sem indicar o caminho concreto para atingir os objetivos.
Como implementar: Revisar de forma sistemática todas as alegações de sustentabilidade em relatórios, licitações e materiais comerciais. Exigir que cada afirmação tenha suporte em dados operacionais verificáveis, metas mensuráveis e verificação independente. Certificar a origem da energia consumida com instrumentos reconhecidos internacionalmente.
4. Gestão de riscos climáticos e descarbonização
O que muda: Em 2026, os frameworks ESG deslocam o foco de promessas climáticas para a gestão concreta de riscos relacionados a eventos climáticos extremos, escassez hídrica, instabilidades no fornecimento de energia e impactos na cadeia de suprimentos. A Resolução CVM 193, alterada pela Resolução CVM 227 de 2025, facilitou a adoção voluntária dos relatórios IFRS S1 e S2, e a Resolução CVM 244/2026 tornou o reporte voluntário a partir de 1º de janeiro de 2026, incluindo emissões de GEE nos Escopos 1, 2 e 3.
Por que importa: A Vale registrou queda de 24,5% no valor de suas ações em um único dia após o desastre de Brumadinho em 2019, com perdas de cerca de R$ 71 bilhões em valor de mercado, o que evidencia o impacto financeiro de riscos ESG não gerenciados. O Programa Brasileiro GHG Protocol já cobre 674 organizações e mais de 1.300 inventários publicados em 2025, com crescimento de 25% em relação ao ano anterior.
Como implementar: Integrar riscos climáticos às análises financeiras, CAPEX e OPEX. Tratar o inventário de GEE como ferramenta de gestão ativa. Contratar energia renovável certificada para reduzir a zero as emissões de Escopo 2 de forma verificável.

5. Cultura ética e KPIs de efetividade
O que muda: Programas de compliance maduros se diferenciam pelo rastreamento de métricas de impacto cultural, como pesquisas de percepção ética e uso espontâneo de canais de denúncia, e não apenas métricas de execução. A pesquisa KPMG indica que muitas empresas brasileiras ainda não utilizam metas de compliance como indicadores de desempenho.
Por que importa: A dimensão de governança do ESG é o principal ponto de entrada para programas de compliance. Empresas com governança sólida mantêm políticas claras, comunicadas e praticadas, conduzem treinamentos frequentes, monitoram comportamentos com ações corretivas e divulgam dados de evolução, o que impacta avaliação, acesso a crédito e competitividade global.
Como implementar: Adotar um painel sintético com indicadores de processo, como taxa de conclusão de treinamentos e percentual de políticas lidas, e indicadores de resultado, como índice de denúncias fundamentadas, tempo médio de resolução e pesquisa de clima ético. Revisar esse painel trimestralmente com a liderança.
6. Uso de certificados de energia renovável como ferramenta de governança
O que muda: Empresas do Grupo A que migram para o mercado livre de energia com certificação I-REC podem reportar zero emissões de Escopo 2 pelo método market-based do GHG Protocol, independentemente do fator de emissão médio da rede nacional. O I-REC é aceito por CDP, GRI 302-1, LEED v4/v4.1, SBTi e GHG Protocol como evidência válida de consumo de energia renovável e redução de emissões de Escopo 2.

Por que importa: Clientes corporativos multinacionais no Brasil exigem cada vez mais que fornecedores demonstrem uso de energia renovável por meio de I-RECs em homologações, auditorias ESG e acordos comerciais. Instituições financeiras oferecem condições mais atrativas, incluindo green bonds, a empresas brasileiras que demonstram desempenho ESG consistente com certificação I-REC.
Como implementar: Migrar para o mercado livre de energia com um fornecedor que emita I-RECs com rastreabilidade completa da fonte ao consumidor final. A Serena Energia, entre as maiores geradoras de energia eólica e solar criadas nas Américas, emite I-RECs para cada MWh consumido, o que permite declarar consumo 100% renovável com documentação auditável para relatórios GRI, CDP e IFRS S2.

7. Evolução das exigências de órgãos como CGU e impactos da Lei 14.133 em licitações
O que muda: O Decreto nº 12.304/2024 amplia a definição legal de programas de integridade em contratos públicos para incluir a mitigação de riscos sociais e ambientais. A Portaria SE/CGU 226/25, em vigor desde novembro de 2025, avalia programas de integridade em licitações de grande valor com critérios que incluem transparência socioambiental, governança de terceiros, canais efetivos de denúncia e indicadores objetivos de desempenho.
Por que importa: A adoção de programas de compliance se tornou critério objetivo de avaliação e qualificação em licitações públicas e contratos privados. Empresas não conformes correm o risco de desqualificação antes mesmo de apresentar propostas. Relatórios de sustentabilidade funcionam como instrumentos estratégicos para comprovar conformidade em licitações públicas e alcançam qualquer licitante que busque contratos públicos de grande valor.
Como implementar: Verificar elegibilidade para o Pacto Brasil pela Integridade Empresarial e para o programa Empresa Pró-Ética da CGU. Incluir métricas socioambientais auditáveis no programa de integridade. Documentar a origem da energia consumida como evidência de transparência socioambiental exigida pela Portaria CGU nº 226/2025.
Tabela comparativa: 7 pilares de compliance integrados ao ESG
|
Pilar |
Risco mitigado |
Métrica-chave |
Ferramenta principal |
|---|---|---|---|
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Integração compliance-ESG |
Fragmentação regulatória e reputacional |
Índice de maturidade de compliance (escala 1-5, média 3,09 no Brasil em 2024) |
Framework unificado compliance-ESG |
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Due diligence de fornecedores |
Responsabilidade por atos de terceiros |
Taxa de conformidade documental e índice de fornecedores homologados |
Plataforma de gestão de risco de fornecedores |
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Combate ao ESG washing |
Sanções regulatórias e perda de credibilidade |
Percentual de alegações sustentáveis com verificação independente |
Auditoria de claims e certificações rastreáveis |
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Gestão de riscos climáticos |
Exposição financeira a eventos climáticos |
Emissões de GEE Escopos 1, 2 e 3 (tCO₂e por unidade de produção) |
Inventário GHG Protocol e I-RECs |
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Cultura ética e KPIs |
Fraude interna e passivos trabalhistas |
Percentual de denúncias fundamentadas e índice de retalição percebida |
Canal de denúncias com dupla anonimização |
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Certificados de energia renovável |
Emissões de Escopo 2 não verificáveis |
MWh certificados por I-REC sobre consumo total |
I-REC emitido por gerador com rastreabilidade |
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Conformidade em licitações (CGU/Lei 14.133) |
Desqualificação em processos licitatórios |
Participação em Pacto Brasil pela Integridade e Empresa Pró-Ética nos últimos 24 meses |
Programa de integridade com critérios CGU 226/2025 |
Etapas de implementação: do diagnóstico à operação contínua
Etapa 1: diagnóstico de maturidade
Realizar avaliação do estado atual do programa de compliance e das métricas ESG com frameworks como o da KPMG, em escala de 1 a 5, ou com o autodiagnóstico do Pacto Brasil pela Integridade Empresarial. Identificar lacunas entre políticas formalizadas e práticas operacionais reais.
Etapa 2: mapeamento de materialidade
Conduzir análise de dupla materialidade para selecionar os tópicos ESG mais relevantes para o setor e para o perfil de risco da empresa. Evitar medir indicadores não materiais que diluem o foco. Incluir emissões de Escopo 2 como tema material para empresas do Grupo A com consumo intensivo de energia.
Etapa 3: integração de processos
Incorporar critérios ESG às rotinas de compliance existentes, como contratos de fornecedores, processos de homologação, políticas de compras e regras de contratação. Registrar evidências em cada etapa para suportar auditorias externas e relatórios IFRS S2.
Etapa 4: certificação da origem de energia
Migrar para o mercado livre de energia com fornecedor que emita I-RECs com rastreabilidade completa. Para que esses certificados sejam reconhecidos como evidência válida nos frameworks GHG Protocol, CDP e GRI 302-1, é essencial retirá-los no nome da empresa dentro do mesmo ano calendário do consumo.

Etapa 5: monitoramento contínuo e reporte
Publicar painel unificado de indicadores compliance-ESG revisado trimestralmente pela liderança. Preparar relatório de sustentabilidade alinhado a IFRS S1 e S2 com asseguração independente, incluindo análise de impacto financeiro, engajamento de stakeholders, benchmarking setorial e monitoramento de riscos reputacionais.
Riscos e limitações comuns na integração compliance-ESG
Apenas 40% das empresas na América Latina têm um líder dedicado exclusivamente à sustentabilidade, o que frequentemente gera fragmentação de responsabilidades entre áreas jurídica, financeira e de operações sem coordenação efetiva.
O foco regulatório crescente em ESG evidencia o “gap de implementação”, que é a distância entre compromissos corporativos formalmente aprovados e sua conversão em rotinas, processos e práticas. Taiana Jung, estrategista em sustentabilidade e sócia-fundadora da Logos Consultoria, ressalta que a credibilidade está no que a empresa executa quando a decisão se torna contrato, obra, rotina de compras ou regra de contratação.
Entre as empresas listadas no Novo Mercado da B3, apenas 29% divulgam dados ESG auditados, o que mostra que mesmo organizações com regras de governança mais rigorosas ainda apresentam lacunas em reporte verificável.
Outros riscos frequentes incluem seleção de KPIs não materiais que consomem recursos sem gerar valor decisório, alegações de sustentabilidade sem suporte documental que expõem a empresa a acusações de ESG washing e ausência de rastreabilidade na cadeia de fornecedores que cria passivos ocultos socioambientais e anticorrupção.
Síntese e critérios objetivos para análise interna
A integração compliance-ESG para empresas do Grupo A, que consomem energia em média e alta tensão, exige quatro condições simultâneas: liderança dedicada com mandato claro, métricas auditáveis vinculadas a processos operacionais reais, rastreabilidade verificável da origem da energia consumida e reporte estruturado alinhado a padrões internacionais reconhecidos por investidores e reguladores.
As emissões de títulos sustentáveis por empresas brasileiras em mercados internacionais cresceram nos últimos anos, o que reflete a demanda dos investidores por desempenho ESG mensurável que influencia custo de capital e precificação de risco. Empresas que não estruturam essa integração perdem acesso a esse mercado.
Para controllers e CFOs, o critério objetivo mais direto é a emissão de Escopo 2. Sem certificação rastreável da origem da energia, qualquer declaração de descarbonização permanece vulnerável a questionamentos de reguladores, investidores e clientes corporativos. A Serena Energia, com mais de 17 anos de história e capacidade de emitir I-RECs com rastreabilidade completa da fonte ao consumidor final, oferece documentação auditável para transformar o consumo de energia em ativo de governança.
Perguntas frequentes sobre certificação, rastreabilidade, consumo e conformidade
O que é um I-REC e como ele comprova a origem renovável da energia consumida pela minha empresa?
O I-REC (International Renewable Energy Certificate) é um instrumento global que comprova que 1 MWh de eletricidade foi gerado por uma fonte renovável, como eólica ou solar, e injetado na rede. Cada certificado contém informações rastreáveis sobre tipo de tecnologia, localização da usina, data de geração e quantidade de energia. Para que a prova seja válida nos frameworks GHG Protocol, CDP, GRI 302-1 e SBTi, o certificado deve ser retirado no nome da empresa dentro do mesmo ano calendário do consumo. A Serena Energia emite I-RECs para cada MWh consumido por seus clientes, o que permite declarar consumo 100% renovável com documentação auditável.
Como a contratação de energia renovável no mercado livre de energia se conecta ao programa de compliance da minha empresa?
A Portaria CGU nº 226/2025 exige que programas de integridade em licitações públicas incluam práticas de transparência socioambiental como critério de avaliação. A certificação da origem da energia consumida por meio de I-RECs constitui evidência objetiva e auditável dessa transparência e se integra diretamente ao programa de compliance. A declaração de Escopo 2 com base em I-RECs também reduz o risco de ESG washing em relatórios de sustentabilidade, relatórios IFRS S2 e comunicações a investidores. Para empresas do Grupo A, migrar para o mercado livre de energia com fornecedor que emita I-RECs é uma forma direta de converter o consumo de energia em ativo de governança verificável.
Quais KPIs devo usar para medir a efetividade do programa de compliance integrado ao ESG?
Programas maduros distinguem indicadores de processo e de resultado. Entre os indicadores de processo estão taxa de conclusão de treinamentos por área e hierarquia, percentual de políticas lidas e assinadas e frequência de atualização de políticas. Entre os indicadores de resultado estão número absoluto de denúncias recebidas, percentual de denúncias fundamentadas após investigação, tempo médio de resolução, índice de retalição percebida, taxa de não conformidades em auditorias internas e resultados de pesquisas de clima ético. Para a dimensão ambiental, os KPIs centrais incluem emissões de GEE por Escopo 1, 2 e 3 em tCO₂e, percentual de energia consumida certificada por I-REC e intensidade de carbono por unidade de receita ou produção. Revisar esse painel trimestralmente com a liderança e incluir os resultados no relatório de sustentabilidade anual.