
Você já se deparou com a informação de que o PLD alcançou o teto em épocas de estiagem ou está no piso durante o período de chuvas? Pode parecer técnico, mas entender esse indicador é fundamental para quem busca eficiência energética e economia.
O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) é um dos principais indicadores do setor elétrico brasileiro e impacta diretamente no valor final da compra e venda de energia. Compreender seu funcionamento é essencial para consumidores e empresas que operam no Mercado Livre de Energia, pois permite melhor planejamento financeiro e proteção contra volatilidades tarifárias.
A seguir, explicamos o que é PLD, como ele é calculado, qual o seu impacto no consumo e na comercialização de energia, e como sua empresa pode se proteger das oscilações de preço.
Mas antes, um pouco sobre o Sistema Elétrico Brasileiro (SEB)
Da geradora até o consumidor final, a energia elétrica está sob o controle do Sistema Interligado Nacional (SIN). A principal fonte de energia do SIN são as hidrelétricas, mas o sistema também integra usinas eólicas, solares, termoelétricas e de biomassa, formando uma matriz energética diversificada.
De maneira geral, o Sistema Elétrico Brasileiro é composto pelas seguintes etapas:
- Geração: a energia primária (vento, irradiação solar, água, biomassa) é transformada em energia elétrica. Existem dois modelos principais:
- Geração centralizada: energia produzida por usinas de médio e grande porte;
- Geração distribuída: energia produzida em diversos pontos da rede, próxima ao local de consumo;
- Transmissão: após a geração, a energia percorre grandes linhas de transmissão que a levam das usinas para as redes de distribuição. As redes de transmissão cobrem todo o país e são operadas pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), que garante o fluxo contínuo e seguro de eletricidade;
- Distribuição: a energia chega às distribuidoras em alta-tensão e é transformada em média e baixa tensão. A média tensão atende indústrias e empresas com elevado consumo, enquanto a baixa tensão supre residências e comércios;
- Comercialização: no Mercado Livre, as comercializadoras desempenham papel estratégico. Elas facilitam a entrada no mercado livre, gerenciam contratos, conduzem o processo de compra e venda de energia e garantem o lastro necessário para operação.

Por interligar diferentes regiões do país, o sistema elétrico é dividido em quatro submercados: Norte, Nordeste, Sul e Sudeste/Centro-Oeste, que não acompanham necessariamente os limites geográficos regionais, mas sim as características de geração e consumo.
Existe um PLD para cada submercado de energia, calculado separadamente com base nas condições específicas de cada região. Vale ressaltar que é possível transacionar energia entre submercados através das linhas de transmissão que os interligam. Essas trocas de energia também impactam no cálculo do PLD, pois as restrições de intercâmbio podem criar diferenças significativas de preço entre as regiões.
Afinal, o que é PLD?
O PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) é o preço-radar do mercado de energia, servindo como base para as contratações de curto prazo e referência nas negociações de médio e longo prazo. Calculado diariamente a cada hora pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o PLD reflete as condições operacionais do sistema em tempo real.
O cálculo é baseado nos Custos Marginais de Operação (CMO), ou seja, o custo para cada consumo adicional de um megawatt-hora (MWh) no sistema elétrico. Em termos práticos, representa quanto custaria ao sistema produzir mais uma unidade de energia naquele momento específico.
A conta de energia é o somatório do preço-base e encargos (como transmissão, distribuição, tarifas e impostos). No Mercado Livre, o PLD entra como componente fundamental na valoração das diferenças entre energia contratada e consumida.

Para que serve o PLD?
O PLD é utilizado para valorar a energia liquidada na CCEE, ou seja, aquela resultante da diferença entre a energia gerada ou contratada e a efetivamente consumida pelos agentes setoriais.
Por exemplo: quando um agente contrata mais energia do que precisa, ele recebe essa energia excedente valorada ao PLD de seu submercado. Isso significa que o excedente será vendido no Mercado de Curto Prazo ao preço PLD vigente naquela hora.
Na situação oposta, ou seja, quando a contratação de energia é menor do que o consumo, é preciso ter atenção. Essa diferença também será valorada pelo PLD, mas caso esse agente não tenha lastro (isto é, não possua contratos que cumpram com sua média de consumo nos últimos 12 meses) para cobrir, sofrerá penalidades severas, correndo o risco até de ser desligado da CCEE.
Onde acompanhar o PLD
É possível acompanhar o painel de preços através do site da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), atualizado de hora em hora. O painel apresenta os valores históricos, projeções e análises detalhadas por submercado, permitindo que consumidores e comercializadoras tomem decisões informadas.
O que significa quando o PLD atinge o teto?
Quando dizem que o PLD atingiu o teto, significa que o Custo Marginal de Operação (CMO) calculado ultrapassou o limite máximo estabelecido pela ANEEL, e o PLD foi limitado ao valor máximo horário (R$ 1.611,04/MWh em 2026).
Isso geralmente ocorre em situações críticas de baixo nível nos reservatórios e alta demanda, quando é necessário acionar as termelétricas mais caras do sistema. Nesses momentos, o sistema elétrico opera sob condições de escassez energética, exigindo o despacho de usinas com custos operacionais elevados.
Como é calculado o PLD?
O PLD é calculado com base nos Custos Marginais da Operação (CMO), que abrangem múltiplas variáveis:
- Estado dos reservatórios;
- Previsão de chuvas;
- Consumo de energia projetado;
- Preço de combustíveis das usinas térmicas;
- Entrada de novos projetos de geração;
- Disponibilidade de transmissão e geração.
Esse cálculo complexo utiliza modelos matemáticos e estatísticos avançados para projetar os cenários e determinar o custo marginal mais eficiente para o sistema.
O que influencia o PLD?
A teoria de oferta e demanda também influencia o cálculo do PLD. Aumento do consumo de energia elétrica pode causar um aumento no preço de energia e vice-versa. Além disso, como o sistema elétrico brasileiro é liderado por energia hidráulica, as condições climáticas também interferem significativamente no PLD.
Condições Hidrológicas
Por exemplo, se estamos em época de chuvas e os reservatórios estão em alta, o PLD será menor, pois a geração hidrelétrica é mais barata. No entanto, quando os reservatórios estão em baixa e não há nenhuma previsão de chuva, o preço elevará consideravelmente, já que será necessário acionar usinas termelétricas mais caras.
A sazonalidade das chuvas no Brasil cria um padrão típico: PLDs mais baixos entre novembro e abril (período úmido) e PLDs mais altos entre maio e outubro (período seco). Entretanto, eventos climáticos extremos podem alterar significativamente esse padrão.
Preço de Combustíveis
Outros fatores, como o custo de combustíveis (gás natural, petróleo e diesel) também entram na conta. O aumento do custo destes combustíveis também elevará o preço da energia, pois as termelétricas se tornam mais caras para operar. Variações no preço internacional do petróleo e do gás natural se refletem rapidamente no PLD máximo horário.
Demanda de Energia
O consumo industrial e residencial impacta diretamente o PLD. Períodos de alta demanda, como horários de pico (geralmente entre 18h e 21h) ou meses de temperatura extrema, pressionam o sistema e elevam o custo marginal. Feriados prolongados e recessões econômicas, por outro lado, reduzem a demanda e tendem a baixar o PLD.
A expansão da capacidade instalada, especialmente de fontes renováveis como eólica e solar, aumenta a oferta e tende a reduzir o PLD médio. Nos últimos anos, o crescimento dessas fontes tem contribuído para reduzir a volatilidade sazonal, especialmente no Nordeste.
Restrições de Transmissão
Limitações na capacidade de intercâmbio entre submercados podem criar diferenças significativas de preço. Quando uma região tem excesso de geração, mas não consegue transmitir para outra com déficit, os PLDs divergem substancialmente.
PLD e Mercado Livre de Energia
Dentro do Mercado Livre de Energia, os valores negociados são guiados pelo PLD. Entender o que é PLD é muito importante para operar com mais autonomia e segurança no Mercado Livre de Energia.
Empresas que migram para o Mercado Livre podem obter economias de até 30% na tarifa de energia, além de maior previsibilidade nos custos através de contratos personalizados.
Ao contratar energia com empresas especializadas, você protege sua operação das variações cotidianas do PLD através de estratégias como contratos de longo prazo, diversificação de fornecedores e consultoria ativa de portfólio.
Se você gostou desse conteúdo, aproveite para conferir mais informações sobre o mercado de energia no Serena Talks, blog da Serena. Até a próxima!
Fazemos parte da Serena, uma das principais geradoras e comercializadoras de energia limpa do país, com 15 anos de experiência conectando pessoas e empresas a soluções sustentáveis e competitivas. Aqui no blog, você encontra conteúdos sobre o setor elétrico, Mercado Livre de Energia, sustentabilidade e transição energética, com explicações claras para apoiar decisões no seu dia a dia, seja na sua casa ou no seu negócio.
