Escrito por: André Lima, Growth, Serena Energia
Principais lições deste artigo
- Empresas do Grupo A precisam de critérios objetivos para comparar alternativas energéticas e preservar as margens operacionais.
- A geração remota converte investimentos em infraestrutura em despesa operacional previsível, sem desembolso inicial de capital.
- O cálculo de retorno exige análise de 12 meses de faturas, inclusão do Fio B e consideração de encargos fixos da distribuidora.
- Contratos de geração remota podem gerar economia de 10% a 20% na fatura e retorno anual em torno de 20% para empresas de médio porte.
- Para obter uma análise personalizada do potencial de redução de custos, fale com os consultores da Serena Energia.
Pré-requisitos: documentos e dados necessários
O cálculo do retorno começa com a reunião das informações que descrevem o perfil energético da empresa. Essa etapa se aplica a empresas do Grupo A, de média e alta tensão.

- Faturas de energia dos últimos 12 meses, da distribuidora e, se aplicável, da geradora
- Perfil de consumo mensal em kWh, com identificação de sazonalidades e picos
- Demanda contratada em kW por posto tarifário, ponta e fora de ponta
- Tarifa de energia ativa (TE) e Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) praticadas pela distribuidora local
- Componente Fio B da TUSD, que representa em média de 28% a 35% da TUSD e varia por distribuidora e região
- Identificação de todas as unidades consumidoras elegíveis ao contrato
Visão geral do processo em 5 etapas
- Coleta e organização dos dados de consumo e faturamento
- Cálculo do custo atual no mercado regulado de energia
- Projeção do custo com contrato de geração remota
- Cálculo do retorno financeiro e do prazo de recuperação
- Monitoramento mensal e ajuste do modelo
Guia passo a passo: como calcular o retorno
Etapa 1 — Coleta e organização dos dados
Objetivo: construir uma base de dados confiável para os cálculos subsequentes.
Ações: consolidar as 12 faturas mais recentes em planilha, separando consumo em kWh, demanda registrada em kW, encargos setoriais e tributos. Essa separação permite isolar os componentes que serão compensados pelo contrato daqueles que permanecerão na fatura. Com os dados organizados, identificar o custo médio por kWh efetivamente pago, calculado como custo total da fatura dividido pelo consumo total em kWh, que servirá como referência para comparação.
Responsável interno: controller ou analista financeiro, com suporte do gerente de facilities.
Dependências: acesso às faturas originais e ao sistema de medição da unidade.
Riscos: faturas incompletas ou períodos com consumo atípico podem distorcer a média. Recomenda-se excluir meses com paradas programadas ou eventos extraordinários.
Etapa 2 — Cálculo do custo atual no mercado regulado
Objetivo: estabelecer a linha de base de custo que será comparada com o cenário do contrato de geração remota.
Ações: somar todos os componentes da fatura, como energia ativa, TUSD com Fio B, demanda, encargos e tributos. O resultado representa o custo total anual no mercado regulado de energia.
Fórmula:
Custo anual atual = soma das faturas mensais dos últimos 12 meses
Responsável interno: controller.
Riscos: ignorar o Fio B como componente separado é um erro frequente. O Fio B deve ser considerado nos cálculos de retorno mesmo em contratos sem desembolso inicial de capital, pois reduz a economia líquida alcançável.
Etapa 3 — Projeção do custo com contrato de geração remota
Objetivo: estimar o custo mensal após a adesão ao contrato, considerando os créditos de energia e os encargos remanescentes.

Ações: calcular o valor da fatura projetada subtraindo os créditos de energia do custo de energia ativa e adicionando os encargos não compensáveis, como a parcela do Fio B aplicável ao período vigente e a disponibilidade mínima da distribuidora.
Fórmula:
Custo mensal projetado = custo de energia ativa menos créditos do contrato, mais Fio B remanescente, mais encargos fixos
Responsável interno: controller, com dados fornecidos pela geradora contratada.
Riscos: instalações comerciais mantêm uma cobrança mínima de disponibilidade da distribuidora mesmo após a adesão a contratos de geração remota. Essa cobrança deve constar na projeção.
Como esses valores variam por distribuidora e perfil de consumo, fale com um de nossos consultores para obter os dados do contrato de geração remota e construir a projeção com precisão.
Etapa 4 — Cálculo do retorno financeiro e do prazo de recuperação
Objetivo: quantificar a economia anual e o tempo necessário para que os benefícios do contrato se consolidem.
Ações: aplicar as fórmulas abaixo com os valores obtidos nas etapas anteriores.
Fórmulas:
Economia mensal = custo mensal atual menos custo mensal projetado
Economia anual = economia mensal multiplicada por 12
Retorno anual, em porcentagem, = economia anual dividida pelo custo anual do contrato, multiplicada por 100
Prazo de recuperação, em meses, = custo mensal do contrato multiplicado pelos meses, dividido pela economia mensal
Exemplo prático, empresa do Grupo A em São Paulo:
| Variável | Valor |
|---|---|
| Fatura mensal atual no mercado regulado de energia | R$ 50.000 |
| Custo mensal com contrato de geração remota | R$ 40.000 |
| Economia mensal | R$ 10.000 |
| Economia anual | R$ 120.000 |
| Retorno anual sobre o custo do contrato | 20%* |
*Retorno calculado com base na fórmula economia anual dividida pelo custo anual do contrato, multiplicada por 100. Contratos de geração remota sem desembolso inicial de capital podem alcançar retorno anual em torno de 20% em simulações para empresas de médio porte.
Para contextualizar esses números, a tabela a seguir compara os principais critérios de decisão entre permanecer no mercado regulado de energia e migrar para geração remota, com foco nos impactos financeiros e operacionais.
Tabela comparativa: geração remota vs. mercado regulado
| Critério | Mercado regulado | Geração remota, zero CAPEX |
|---|---|---|
| Desembolso inicial de capital | Nenhum | Nenhum |
| Previsibilidade de custo | Baixa, sujeita a bandeiras tarifárias | Alta, com preço fixado em contrato |
| Potencial de redução na fatura | Não aplicável | Conforme detalhado no exemplo prático |
| Certificação de energia renovável, I-REC | Não disponível | Disponível |
Etapa 5 — Monitoramento mensal e ajuste do modelo
Objetivo: verificar se a economia projetada está sendo realizada e identificar desvios.
Ações: comparar mensalmente a fatura atual com a fatura do período equivalente antes do contrato, atualizar a planilha de acompanhamento e reportar ao diretor financeiro.
Responsável interno: controller ou gerente de facilities.
Erros comuns ao calcular o retorno
O cálculo do retorno apresenta padrões de erro recorrentes em análises de contratos de geração remota para empresas do Grupo A, de média e alta tensão.
- Ignorar o Fio B: o Fio B representa em média de 28% a 35% da TUSD e reduz diretamente a economia líquida. Omitir esse componente superestima o benefício do contrato.
- Usar apenas um mês de referência: um único mês pode não representar o perfil real de consumo. A base de cálculo deve considerar pelo menos 12 meses.
- Desconsiderar encargos fixos da distribuidora: mesmo com créditos de energia, a empresa continua pagando encargos de disponibilidade e outros itens fixos da fatura da distribuidora.
- Não envolver todas as áreas: o cálculo requer dados de facilities, para consumo técnico, finanças, para faturamento, e quando aplicável ESG, para metas de descarbonização. A ausência de qualquer uma dessas áreas gera lacunas no modelo.
- Comparar unidades diferentes: comparar o custo por kWh do contrato de geração remota com o custo total por kWh da fatura regulada, que inclui tributos e encargos não compensáveis, produz uma comparação distorcida.
Checklist de verificação antes de fechar o modelo:
- Foram usadas faturas dos últimos 12 meses?
- O Fio B foi calculado separadamente e incluído no custo projetado?
- Os encargos fixos da distribuidora foram mantidos na projeção?
- Todas as unidades consumidoras elegíveis foram mapeadas?
- O modelo foi revisado por finanças, facilities e, se aplicável, ESG?
Verificação de resultados
Após o início do contrato, a verificação mensal funciona como principal ferramenta para confirmar que o retorno projetado está sendo realizado. As ações a seguir formam um sistema integrado de acompanhamento.
- Comparação de faturas: confrontar o valor total pago no mês corrente com o valor equivalente do mesmo mês do ano anterior, ou do período pré-contrato, com ajuste para variações de consumo.
- Uso de painéis de acompanhamento: plataformas digitais de gestão energética permitem visualizar a economia mensal acumulada, o consumo realizado em comparação com o previsto e o comparativo entre mercado regulado de energia e contrato vigente. A Serena Energia disponibiliza esse painel para seus clientes, com detalhamento da fatura e previsão de consumo.
- Revisão periódica do modelo: a cada 6 meses, revisar as premissas do cálculo, em especial a tarifa da distribuidora e o perfil de consumo, para manter a projeção alinhada à realidade operacional.
Opções avançadas e temas correlatos
Empresas com múltiplas unidades consumidoras podem contratar créditos de energia para distribuição entre diferentes CNPJs ou endereços. Essa estratégia amplia o alcance do contrato e consolida a gestão energética em um único fornecedor. Os créditos de energia em contratos de geração remota permanecem válidos por 60 meses e podem ser utilizados para compensação nas unidades contratadas.
Para empresas com metas de sustentabilidade, o contrato de geração remota com energia renovável permite a emissão de Certificados de Energia Renovável, I-RECs. Cada MWh consumido de fonte limpa pode ser certificado por um I-REC, documento rastreável e reconhecido globalmente que comprova a origem renovável da energia e é utilizado em relatórios de ESG para abater emissões de Escopo 2. A Serena Energia, uma das maiores geradoras de energia eólica e solar criadas nas Américas, com mais de 17 anos de história, emite I-RECs e oferece créditos de carbono para empresas que buscam neutralizar outras fontes de emissão, tendo evitado mais de 2,14 milhões de toneladas de CO₂ desde 2017.

Perguntas frequentes
Qualquer empresa do Grupo A pode contratar geração remota de energia?
Sim. Empresas do Grupo A são elegíveis para contratar geração remota de energia. A Serena Energia realiza a análise de elegibilidade sem custo para o cliente, verificando se o perfil de consumo da empresa atende aos requisitos técnicos necessários.
Qual é o prazo típico de um contrato de geração remota?
Os contratos costumam ter duração de 3 a 5 anos. Esse prazo permite que a empresa planeje seu orçamento energético com previsibilidade, sem depender de reajustes tarifários anuais ou de bandeiras tarifárias.
Quem é responsável pela entrega física da energia?
A distribuidora local continua sendo responsável pela entrega física da eletricidade até as instalações da empresa. O contrato de geração remota altera apenas a origem comercial da energia, ou seja, de quem a empresa compra. A qualidade e a continuidade do fornecimento físico permanecem sob responsabilidade da distribuidora.
O que acontece se o consumo da empresa variar ao longo do contrato?
Contratos de geração remota no mercado livre de energia preveem faixas de flexibilidade para variações de consumo. Fora dessa faixa, a diferença é liquidada no mercado de curto prazo. A Serena Energia acompanha o consumo do cliente e oferece suporte para reduzir essa exposição.
Como os I-RECs se integram ao cálculo financeiro do contrato?
Os I-RECs não alteram diretamente o cálculo de economia na fatura, mas representam um ativo de sustentabilidade com valor estratégico. Empresas que precisam comprovar o consumo de energia renovável para relatórios de ESG, auditorias ou exigências de cadeia de fornecimento encontram nos I-RECs a documentação auditável necessária. A Serena Energia emite esses certificados para cada MWh consumido de fonte limpa.
Fale com um de nossos consultores e esclareça dúvidas sobre elegibilidade, prazos e estrutura contratual antes de tomar sua decisão.
Conclusão
Calcular o retorno de contratos de geração remota de energia para empresas do Grupo A, de média e alta tensão, exige uma sequência estruturada. Essa sequência inclui coleta de dados históricos de consumo e faturamento, definição de uma linha de base de custo no mercado regulado de energia, projeção do custo com o contrato, aplicação das fórmulas de economia e prazo de recuperação e monitoramento mensal dos resultados. Erros como ignorar o Fio B, usar períodos de referência inadequados ou comparar métricas incompatíveis comprometem a confiabilidade do modelo.
A geração remota de energia sem desembolso inicial de capital converte um custo operacional imprevisível em uma despesa gerenciável, com preço fixado em contrato e potencial de redução na fatura documentado. Para empresas com metas de ESG, o modelo também viabiliza a emissão de I-RECs e a neutralização de emissões de Escopo 2.
A Serena Energia oferece contratos de geração remota, gestão energética digitalizada e emissão de certificados de energia renovável para empresas do Grupo A em todo o Brasil. Com mais de 17 anos de história e clientes como Heineken, Cargill e Bayer, a empresa assume todo o processo de migração e gestão sem custo adicional para clientes sob sua gestão.
Fale com um de nossos consultores e receba um estudo de viabilidade personalizado para a sua empresa.