Escrito por: André Lima, Growth, Serena Energia
Principais lições deste artigo
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O curtailment de energia renovável no Brasil cresceu 16,7% em 2026, gerando custos imprevisíveis e riscos para o reporte de ESG das empresas do Grupo A.
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Empresas conectadas em média e alta tensão podem migrar para o mercado livre de energia e contratar energia renovável com preço fixo e I-RECs auditáveis.
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Contratos bilaterais de longo prazo oferecem previsibilidade de custo, baixa complexidade operacional e certificação ESG sem exigir investimento em infraestrutura própria.
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O prazo regulatório de migração é de 6 meses, e fornecedores que operam no modelo gerenciado conduzem todo o processo sem custo adicional para o cliente.
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Dimensão e impacto do problema
O curtailment de energia renovável já ocorre em escala relevante no Brasil e tende a permanecer em patamares elevados nos próximos anos. A média de janeiro a abril de 2026 atingiu 2,843 GW médios, equivalente a 17,2% de toda a geração eólica e solar potencial do país. A tabela a seguir mostra a evolução recente desse indicador e evidencia a aceleração do problema.

Dados de curtailment no Brasil – ONS/Canal Solar
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Período |
Curtailment médio (MW) |
Variação |
|---|---|---|
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Jan–Abr 2025 |
– |
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Jan–Abr 2026 |
+16,7% |
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Projeções 2026-2029 |
Patamares elevados |
– |
Esse cenário afeta diretamente a gestão financeira, operacional e de sustentabilidade das empresas do Grupo A. O quadro abaixo resume os principais impactos por pilar de ESG.
Impacto do curtailment nos pilares ESG para empresas do Grupo A
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Pilar |
Impacto direto |
Consequência para a empresa |
|---|---|---|
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Financeiro |
Custos imprevisíveis por bandeiras tarifárias e reajustes anuais |
Planejamento orçamentário comprometido e margens pressionadas |
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Operacional |
Risco de interrupção de fornecimento e necessidade de backup fóssil |
Despacho de termelétricas a gás para cobrir a rampa noturna após queda da geração renovável |
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Regulatório/Governança |
Dificuldade em comprovar consumo de energia renovável para relatórios de Escopo 2 |
Exposição a questionamentos de investidores e auditores de sustentabilidade |
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Sustentabilidade |
Mais de 48,7 TWh de energia renovável desperdiçada de forma acumulada no Brasil |
Pressão de stakeholders e risco reputacional para metas públicas de ESG |
O curtailment representa simultaneamente uma perda ambiental, um custo repassado ao consumidor e uma falha de planejamento de infraestrutura, com impacto direto nos três pilares de ESG. Para empresas com metas públicas de descarbonização, esse contexto cria um risco concreto de reporte.

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Categorias de solução
Empresas do Grupo A em média e alta tensão têm quatro caminhos principais para reduzir a exposição ao curtailment e às suas consequências financeiras e de ESG.
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Autoprodução de energia: a empresa instala e opera a própria capacidade de geração. Essa opção exige investimento elevado em infraestrutura, prazos longos de implantação e gestão contínua de ativos fora do core business.
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Armazenamento de energia (BESS): baterias estacionárias absorvem excedentes e reduzem a exposição a horários de ponta. Essa alternativa complementa outras soluções, mas não elimina a dependência de fornecimento externo.
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Expansão de transmissão: solução estrutural de longo prazo conduzida pelo setor público. Essa frente não está sob controle da empresa consumidora, e os efeitos são difusos e de prazo incerto.
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Contratação no mercado livre de energia: a empresa migra do mercado regulado e firma contratos bilaterais de longo prazo diretamente com uma geradora ou comercializadora. O preço da energia é acordado antecipadamente, a origem renovável é certificada por I-RECs e a entrega física continua sob responsabilidade da distribuidora local.
Cada categoria atende a perfis específicos de porte, apetite a risco e horizonte de planejamento. A análise deve considerar investimento necessário, complexidade operacional, prazo até o primeiro resultado e aderência às metas de ESG.

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Comparação das alternativas
A tabela a seguir compara as três principais alternativas em critérios relevantes para decisão: investimento inicial, complexidade operacional, prazo até o primeiro resultado, previsibilidade de custo, certificação ESG e entrega física de energia renovável.

Comparação entre categorias de solução para empresas do Grupo A
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Critério |
Autoprodução |
Armazenamento (BESS) |
Mercado livre de energia (contrato bilateral) |
|---|---|---|---|
|
Investimento inicial |
Alto, com CAPEX em infraestrutura |
Alto, com equipamentos e instalação |
Baixo, com custos de adequação de medição custeados pelo fornecedor no modelo gerenciado |
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Complexidade operacional |
Alta, com operação e manutenção próprias |
Média, com integração ao sistema existente |
Baixa, com processo conduzido pelo fornecedor |
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Prazo até o primeiro resultado |
Longo, com anos de obra e licenciamento |
Médio, com meses de instalação |
6 meses, seguindo o prazo regulatório de migração |
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Previsibilidade de custo |
Parcial, com OPEX variável |
Parcial, dependente do perfil de uso |
Alta, com preço fixado em contrato de longo prazo |
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Certificação ESG (I-REC) |
Possível, com estrutura própria |
Não se aplica de forma isolada |
Disponível por MWh consumido, emitido pelo fornecedor |
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Entrega física de energia renovável |
Sim, por meio de geração própria |
Complementar |
Sim, via distribuidora local com origem certificada |
Passo a passo de avaliação e implementação
1. Diagnóstico de consumo
O primeiro passo consiste em analisar as faturas dos últimos 12 meses. Essa análise mapeia consumo mensal em kWh, demanda contratada, sazonalidades e picos. Esse conjunto de dados serve de base para qualquer estudo de viabilidade.
2. Verificação de elegibilidade para o Grupo A
Empresas conectadas em média ou alta tensão fazem parte do Grupo A e podem migrar para o mercado livre de energia. Não há consumo mínimo exigido, e o enquadramento tarifário na fatura indica essa condição.
3. Avaliação técnica e econômico-financeira
Com os dados de consumo organizados, o passo seguinte é solicitar um estudo de viabilidade a um fornecedor qualificado. Esse estudo projeta a economia esperada, o impacto no orçamento e as condições contratuais disponíveis.
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4. Contratação e registro
Após a decisão, a empresa firma o contrato bilateral e inicia o processo de registro na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). No modelo varejista, o fornecedor conduz todas as etapas de registro. O prazo regulatório de migração é de 6 meses a partir da notificação à distribuidora.
5. Adequação do sistema de medição
A medição horária é obrigatória no mercado livre de energia. A instalação dos equipamentos compatíveis deve ocorrer dentro do prazo de migração. Fornecedores que operam no modelo gerenciado assumem esse custo e a execução.
6. Monitoramento contínuo
Após a migração, o acompanhamento mensal dos resultados permite comparar o custo com o período no mercado regulado e identificar desvios de consumo. Esse monitoramento é importante porque consumos fora da faixa de flexibilidade contratual, geralmente entre 5% e 10% do volume acordado, expõem a empresa ao PLD (Preço de Liquidação das Diferenças). Por isso, o ajuste contratual deve ser avaliado sempre que o padrão de consumo se alterar de forma estrutural.
Casos de uso genéricos por setor
Indústria: plantas industriais de médio e grande porte concentram consumo elevado em motores, fornos e sistemas de climatização. A imprevisibilidade das bandeiras tarifárias dificulta o planejamento de custos de produção. A migração para contratos bilaterais de longo prazo no mercado livre de energia torna essa linha de custo mais previsível, com origem renovável certificada para os relatórios de Escopo 2.

Redes de varejo: redes com múltiplas unidades em diferentes estados precisam consolidar o custo de energia em um orçamento único. A contratação centralizada no mercado livre de energia permite negociar condições para o conjunto das unidades elegíveis, com I-RECs emitidos por MWh consumido em cada ponto.
Hotéis: o setor hoteleiro apresenta perfil de consumo sazonal, com picos em períodos de alta ocupação. Contratos bilaterais com flexibilidade contratual de 5% a 10% acomodam essa variação sem exposição excessiva ao mercado de curto prazo. A certificação de origem renovável fortalece o posicionamento de sustentabilidade junto a hóspedes corporativos e certificadoras de turismo responsável.
Perguntas frequentes
O que é curtailment e por que ele afeta empresas do Grupo A?
Curtailment é o corte de geração eólica ou solar pelo operador do sistema elétrico quando a oferta de energia supera a capacidade de absorção da rede ou a demanda disponível. Para empresas do Grupo A, consumidoras de média e alta tensão, o efeito é indireto. O sistema recorre a fontes mais caras para cobrir a demanda, o que pressiona os custos tarifários no mercado regulado e compromete a rastreabilidade da energia renovável consumida.
O que é o I-REC e como ele resolve o problema de reporte de Escopo 2?
O I-REC (International Renewable Energy Certificate) é um certificado digital rastreável que comprova que 1 MWh de energia foi gerado por uma fonte renovável e injetado na rede. Para fins de reporte de emissões, o I-REC permite à empresa declarar que seu consumo de eletricidade é de origem limpa, reduzindo as emissões de Escopo 2 nos relatórios de sustentabilidade. Ele é emitido por MWh consumido e é reconhecido globalmente por frameworks como o GHG Protocol.
Contratos bilaterais no mercado livre de energia eliminam a exposição ao curtailment?
Contratos bilaterais de longo prazo com fornecedores que possuem geração própria e lastro robusto reduzem de forma relevante o risco de fornecimento associado ao curtailment. O preço é fixado antecipadamente, a origem renovável é certificada e a entrega física continua sob responsabilidade da distribuidora local. A empresa reduz a dependência das condições do mercado de curto prazo para garantir o abastecimento e a rastreabilidade da energia.
Quanto tempo leva a migração para o mercado livre de energia?
A migração leva 6 meses, conforme o prazo regulatório detalhado na seção de implementação. A economia começa na primeira fatura após a conclusão do processo. Fornecedores que operam no modelo gerenciado conduzem todas as etapas de registro na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), adequação do sistema de medição e gestão contínua, sem custo adicional para o cliente.
Qualquer empresa pode migrar para o mercado livre de energia?
Empresas conectadas em média ou alta tensão fazem parte do Grupo A e têm acesso ao mercado livre de energia. O critério de elegibilidade é o enquadramento no Grupo A, conforme explicado na seção de implementação. A verificação ocorre a partir da análise da fatura de energia, que indica o grupo tarifário e o nível de tensão do fornecimento.
Conclusão
O curtailment de energia renovável no Brasil já afeta custos, rastreabilidade da origem renovável e reporte de Escopo 2 para empresas do Grupo A. Como vimos, o fenômeno não é passageiro, e as projeções apontam para volumes elevados até pelo menos 2029.
A avaliação de alternativas deve considerar critérios objetivos como previsibilidade de custo, prazo até o primeiro resultado, complexidade operacional e capacidade de emitir certificados de origem auditáveis. Contratos bilaterais de longo prazo no mercado livre de energia reúnem esses atributos sem exigir investimento em infraestrutura própria.
O passo inicial mais prático consiste em organizar as faturas dos últimos 12 meses e solicitar um estudo de viabilidade. Com esses dados, é possível projetar a economia, avaliar as condições contratuais disponíveis e dimensionar o impacto nos relatórios de ESG.
A Serena Energia, uma das maiores geradoras de energia eólica e solar criadas nas Américas, oferece migração gerenciada para o mercado livre de energia, emissão de I-RECs e gestão contínua para empresas do Grupo A em todo o Brasil.
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