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Estudo de viabilidade para o mercado livre de energia: guia

Estudo de viabilidade para o mercado livre de energia: guia

Escrito por: André Lima, Growth, Serena Energia

Principais lições deste artigo

  • Empresas do Grupo A podem reduzir custos e ganhar previsibilidade ao migrar para o mercado livre de energia, desde que realizem um estudo de viabilidade estruturado que considere a exposição ao PLD.

  • O estudo deve quantificar a economia líquida, calcular a exposição financeira em diferentes cenários de PLD e avaliar o VPL, o payback e o VaR para embasar a decisão.

  • Contratos flat oferecem maior previsibilidade, enquanto contratos indexados ao PLD permitem capturar preços baixos, mas aumentam a exposição. O modelo varejista da Serena Energia equilibra simplicidade operacional e controle de risco.

  • Requisitos mínimos incluem conexão em média ou alta tensão, medição horária e documentação para adesão à CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). O processo regulatório leva cerca de seis meses.

  • Para obter um estudo de viabilidade personalizado e apoio completo na migração, fale com um consultor da Serena Energia.

Por que realizar um estudo de viabilidade antes de migrar?

A migração para o mercado livre de energia envolve compromissos contratuais de longo prazo, adequação do sistema de medição e adesão à CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). Uma decisão sem análise quantitativa pode gerar exposição financeira superior à economia projetada, sobretudo em períodos de PLD elevado.

Dados da Abraceel mostram que o PLD médio subiu 84% entre 2024 e 2026, passando de R$ 129/MWh para R$ 236/MWh. No mesmo período, contratos de curto prazo registraram aumentos relevantes. Esse contexto reforça a necessidade de modelar cenários antes de firmar qualquer contrato.

O estudo de viabilidade responde a três pontos centrais: qual é a economia líquida esperada em relação ao mercado cativo, qual é a exposição financeira ao PLD em caso de desvio de consumo e qual tipo de contrato equilibra previsibilidade e custo para o perfil da empresa.

Converse com a equipe da Serena Energia para entender como a empresa conduz esse processo sem custo adicional para clientes sob sua gestão.

Conceitos essenciais para entender a migração

No mercado cativo, a empresa compra energia da distribuidora local a tarifas reguladas pela ANEEL, que incluem a Tarifa de Energia (TE), a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) e encargos de bandeiras tarifárias. No mercado livre de energia, a empresa negocia diretamente com um fornecedor, que pode ser um gerador ou um comercializador, o preço, o volume e o prazo do contrato. A distribuidora local continua responsável pela entrega física da eletricidade, e o que muda é o agente que vende a energia.

Vista aérea de uma vasta usina solar com longas fileiras de painéis fotovoltaicos captando a luz do pôr do sol.
O uso de usinas solares de grande escala permite captar energia com eficiência máxima, otimizando os créditos que reduzem drasticamente os custos fixos de empresas parceiras.

O PLD é o preço calculado pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) para liquidar financeiramente as diferenças entre o volume contratado e o volume efetivamente consumido por cada agente. Se uma empresa consome mais do que contratou, compra o excedente ao PLD vigente, e se consome menos, vende o saldo ao PLD. Quanto maior o desvio e mais alto o PLD, maior o impacto financeiro.

Os contratos no mercado livre de energia se dividem, principalmente, em dois modelos:

  • Contrato flat (preço fixo): define o preço por MWh na contratação e mantém esse valor durante todo o prazo, independentemente das oscilações do PLD.

  • Contrato indexado ao PLD: vincula o preço ao PLD semanal calculado pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), com custos menores em períodos favoráveis e maiores em períodos de estresse hídrico ou despacho térmico.

Os I-RECs (International Renewable Energy Certificates) são certificados que comprovam a origem renovável de cada MWh consumido e se tornaram instrumentos centrais para relatórios de sustentabilidade e metas de redução de emissões de Escopo 2.

Tire dúvidas sobre contratos e certificados com a Serena Energia antes de tomar qualquer decisão.

Passo a passo do estudo de viabilidade

Com os conceitos fundamentais estabelecidos, o próximo passo é traduzir o perfil de consumo da empresa em uma análise quantitativa de viabilidade. O estudo segue quatro etapas principais.

1. Coleta e análise do histórico de consumo

Reunir as faturas dos últimos 24 a 60 meses permite mapear o consumo mensal em MWh, a demanda contratada em kW, a sazonalidade e os picos. Esse histórico define o volume a ser contratado no mercado livre de energia e o grau de flexibilidade necessário no contrato.

2. Cálculo do custo atual no mercado cativo

Some todos os componentes da fatura atual: TE (Tarifa de Energia), TUSD (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição), encargos setoriais e bandeiras tarifárias. Esse valor total representa o custo mensal no mercado cativo e serve como linha de base para medir a economia potencial no mercado livre de energia. Qualquer redução de custo será calculada em relação a esse número.

3. Projeção do custo no mercado livre de energia por cenário de PLD

O custo total no mercado livre de energia resulta da combinação entre o preço contratado e a exposição ao PLD sobre o volume não coberto pelo contrato. A fórmula de exposição financeira é:

Exposição financeira = (Consumo realizado − Volume contratado) × PLD

Um resultado negativo indica necessidade de comprar o déficit ao PLD, e um resultado positivo indica venda do excedente ao PLD. Para entender o impacto financeiro real dessa exposição, considere uma empresa com consumo mensal de 500 MWh e volume contratado de 475 MWh, com desvio de 25 MWh, equivalente a 5%. A tabela abaixo mostra como o custo da exposição varia em quatro cenários de PLD, de condições favoráveis a picos extremos:

Cenário PLD (R$/MWh)

Exposição (MWh)

Custo da exposição (R$)

Referência de mercado

80

25

R$ 2.000

Cenário de alta hidraulicidade

180

25

R$ 4.500

Próximo à média de 2024 (R$ 129/MWh)

450

25

R$ 11.250

Cenário intermediário de estresse

900

25

R$ 22.500

Cenário de pico extremo, o PLD no subsistema Sudeste atingiu no máximo R$ 277,39/MWh em janeiro de 2026

Esses quatro cenários de exposição ao PLD formam a base para projetar os fluxos de caixa mensais da empresa no mercado livre de energia. Cada cenário gera uma série de custos mensais, que combinam preço contratado e exposição ao PLD, e esses custos são comparados ao custo mensal no mercado cativo para calcular a economia líquida em cada mês.

4. Cálculo do VPL, payback e VaR

Com esses fluxos de caixa projetados para cada cenário, calcule:

  • VPL (Valor Presente Líquido): desconte os fluxos de economia líquida, obtidos pela diferença entre custo cativo e custo livre, pela taxa de desconto da empresa. Um VPL positivo em todos os cenários indica viabilidade mais robusta.

  • Payback: número de meses até que a economia acumulada supere os custos de adequação, como medição e adesão à CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).

  • VaR (Value at Risk): com base na calibração de CVaR utilizada nos modelos de precificação do PLD, estime a perda máxima esperada em um percentil de confiança, tipicamente 95%, para o horizonte contratual. Esse número define o limite de exposição aceitável para a empresa.

Solicite à Serena Energia a modelagem completa de VPL, payback e VaR para o perfil de consumo da sua empresa.

Comparação entre contrato flat e contrato indexado ao PLD

A escolha do tipo de contrato determina diretamente o grau de previsibilidade orçamentária e a exposição ao PLD. O principal equilíbrio está entre maior estabilidade de custo, nos contratos flat, e maior sensibilidade ao PLD, nos contratos indexados. A tabela abaixo mostra como cada modelo se comporta em cinco critérios decisivos.

Critério

Contrato flat (preço fixo)

Contrato indexado ao PLD

Modelo varejista da Serena Energia

Previsibilidade orçamentária

Alta, com preço fixo por MWh durante todo o prazo

Baixa, com custo que varia semanalmente com o PLD

Alta, com preço fechado no contrato e fatura calculada sobre o consumo realizado

Exposição ao PLD

Restrita a desvios de consumo fora da faixa contratual

Integral, com todo o volume consumido precificado ao PLD

Limitada a 5–10% do volume contratado, referente à faixa de flexibilidade

Custo em PLD baixo

Inclui um prêmio de segurança acima do PLD spot

Captura o preço baixo integralmente

Segue o preço contratado, sem capturar variações spot

Custo em PLD alto

Fica restrito ao preço fixo contratado

Reflete diretamente o aumento do PLD, que apresentou variações significativas em 2026

Permanece protegido dentro do volume contratado

Perfil recomendado

Empresas que priorizam previsibilidade de OPEX

Empresas com alta tolerância a oscilações de custo e gestão ativa

Empresas que buscam simplicidade operacional e previsibilidade

No modelo varejista da Serena Energia, o cliente não compra um volume específico de energia, mas fecha o preço por MWh, e a fatura mensal é calculada multiplicando esse preço pelo consumo realizado. A exposição ao PLD fica restrita à faixa de flexibilidade contratual, tipicamente entre 5% e 10% do volume de referência.

Converse com a equipe de consultoria energética da Serena Energia para avaliar qual modelo contratual se ajusta melhor ao perfil de consumo e ao nível de risco da sua empresa.

Requisitos mínimos e etapas típicas da migração

Verificar se a empresa atende aos requisitos básicos evita retrabalho e atrasos no cronograma de migração.

  • Conexão em média ou alta tensão, Grupo A.

  • Sistema de medição compatível com o mercado livre de energia, com medição horária obrigatória.

  • Documentação técnica, jurídica e financeira para adesão à CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).

O processo de migração costuma seguir estas etapas:

  1. Realização do estudo de viabilidade e escolha do fornecedor.

  2. Assinatura do contrato de fornecimento, em geral de 3 a 5 anos.

  3. Notificação à distribuidora local para encerramento do contrato cativo.

  4. Adequação do sistema de medição (SMF), conduzida pela Serena Energia, conforme mencionado.

  5. Registro e adesão à CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), também conduzidos pela Serena Energia.

  6. Início do fornecimento no mercado livre de energia, após o prazo regulatório de aproximadamente seis meses.

Inicie o processo de migração com o suporte da equipe da Serena Energia e reduza a carga operacional interna.

O que muda após a migração: operação e gestão contínua

Após a migração, a empresa passa a receber duas faturas mensais, uma referente à energia contratada, emitida pelo fornecedor, e outra referente ao uso da rede de distribuição, emitida pela distribuidora local. A Serena Energia centraliza a gestão dessas obrigações para os clientes sob sua gestão e pode cuidar inclusive do pagamento à distribuidora.

A gestão contínua inclui:

  • Monitoramento mensal do consumo realizado em relação ao volume de referência contratual.

  • Painel digital com economia mensal, economia consolidada acumulada, previsão de consumo e comparativo entre mercado cativo e mercado livre de energia.

  • Representação perante a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) no modelo varejista, com gestão de liquidações e conformidade setorial.

  • Emissão de I-RECs correspondentes ao consumo, para uso em relatórios de sustentabilidade e comprovação de Escopo 2.

Conheça o painel de gestão energética da Serena Energia e veja como acompanhar resultados em tempo real.

Riscos comuns e boas práticas de mitigação

Os principais riscos na operação no mercado livre de energia podem ser controlados com monitoramento e governança adequados.

  • Desalinhamento de volume: consumo sistematicamente acima ou abaixo do volume de referência gera exposição ao PLD. A mitigação passa pelo monitoramento mensal e pelo ajuste do perfil contratual quando necessário.

  • Oscilação do PLD: variações intradiárias relevantes foram observadas em 2026, o que torna a análise do perfil horário de consumo indispensável para contratos indexados.

  • Complexidade regulatória: liquidações, aportes de garantia financeira e obrigações perante a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) exigem expertise setorial. O cálculo do aporte de garantia financeira considera a exposição líquida estimada do agente, a oscilação do PLD e outros fatores definidos nos Procedimentos de Comercialização da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).

A mitigação mais eficaz para empresas do Grupo A que não têm energia como core business é a gestão ativa por um comercializador experiente, que assume as obrigações regulatórias e monitora o consumo de forma contínua.

Entenda com a Serena Energia como estruturar essa gestão de risco para o seu negócio.

Síntese dos critérios de decisão

Um estudo de viabilidade bem estruturado precisa atender a todos os critérios abaixo antes de recomendar a migração.

  • O VPL da economia líquida permanece positivo mesmo no cenário de PLD mais elevado modelado.

  • A exposição financeira máxima, calculada pelo produto entre desvio e PLD de pico, é compatível com o fluxo de caixa da empresa.

  • O tipo de contrato escolhido, flat, indexado ou varejista, está alinhado ao apetite de risco e à necessidade de previsibilidade orçamentária.

  • O fornecedor apresenta capacidade de geração própria e solidez financeira para honrar o contrato durante todo o prazo.

  • A gestão pós-migração, que inclui medição, relacionamento com a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) e faturas, está coberta sem sobrecarga operacional para a equipe interna.

A Serena Energia, uma das maiores geradoras de energia eólica e solar criadas nas Américas, oferece migração gerenciada, consultoria energética e gestão contínua sem custo adicional para clientes sob sua gestão. Com mais de 17 anos de história e clientes como Heineken, Cargill e Bayer, a empresa reúne geração própria e plataforma digital para entregar economia, previsibilidade e sustentabilidade em um único contrato.

Paisagem de um parque de energia renovável ao pôr do sol, apresentando grandes turbinas eólicas e vastas fileiras de painéis solares sobre colinas.
A combinação estratégica de fontes eólicas e solares maximiza a geração de energia limpa, garantindo maior estabilidade e eficiência para o suprimento do Mercado Livre.

Dê o primeiro passo para um estudo de viabilidade completo com a Serena Energia, com cenários de PLD, análise de exposição e projeção de economia para a sua empresa.

Perguntas frequentes

Minha empresa do Grupo A precisa ter um consumo mínimo para migrar para o mercado livre de energia?

Não existe consumo mínimo. Qualquer empresa conectada em média ou alta tensão, o chamado Grupo A, pode migrar para o mercado livre de energia, independentemente do volume mensal consumido. A viabilidade econômica depende da análise do perfil de consumo, do tipo de contrato mais adequado e da exposição ao PLD, e não de um patamar mínimo de kWh.

O que acontece se minha empresa consumir mais ou menos do que o volume de referência contratual?

Os contratos no mercado livre de energia preveem uma faixa de flexibilidade, geralmente entre 5% e 10% do volume de referência. Consumo dentro dessa faixa não gera exposição adicional. Fora dela, a diferença é liquidada financeiramente pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) ao PLD vigente no período. No modelo varejista da Serena Energia, o cliente fecha o preço por MWh e a fatura é calculada sobre o consumo realizado, o que simplifica o controle de desvios. A gestão ativa do consumo e o monitoramento mensal são as principais ferramentas para reduzir essa exposição.

Quanto tempo leva o processo de migração e quais etapas minha equipe precisa conduzir?

O processo leva o prazo regulatório mencionado anteriormente, seis meses, determinado pelo aviso prévio exigido pela distribuidora para encerramento do contrato cativo. Para clientes sob a gestão da Serena Energia, toda a jornada, que inclui notificação à distribuidora, adequação do sistema de medição, registro na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) e documentação técnica e jurídica, é conduzida pela equipe da Serena Energia, mantendo o modelo sem custo adicional descrito anteriormente. A equipe interna da empresa não precisa assumir responsabilidades regulatórias durante o processo.

Como o I-REC é emitido e para que serve nos relatórios de sustentabilidade?

O I-REC (International Renewable Energy Certificate) é um certificado digital rastreável que comprova que 1 MWh de energia foi gerado por uma fonte renovável e injetado na rede elétrica. Para cada MWh consumido, a Serena Energia pode emitir o I-REC correspondente, que é reconhecido globalmente e utilizado para comprovar o consumo de energia 100% renovável em relatórios de sustentabilidade, inventários de emissões de Escopo 2 e exigências de stakeholders e investidores. Esse certificado é o instrumento padrão para empresas que precisam demonstrar, de forma auditável, o compromisso com metas de descarbonização.

Qual é a diferença prática entre contratar energia no modelo varejista e no modelo atacadista?

No modelo atacadista, a empresa atua diretamente como agente na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), gerindo seus próprios contratos, aportes de garantia financeira e liquidações no mercado de curto prazo. Esse modelo exige estrutura interna dedicada e se mostra mais indicado para grandes consumidores com equipe especializada. No modelo varejista, um comercializador como a Serena Energia intermedia todo o processo: o cliente fecha o preço por MWh, recebe duas faturas mensais, de energia e de distribuição, e conta com um consultor dedicado para monitoramento e suporte. A complexidade regulatória fica integralmente com o comercializador, sem custo adicional para o cliente sob gestão da Serena Energia.

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