
O Acordo de Paris, firmado em 2015 durante a COP21, traçou metas globais para combater o avanço das mudanças climáticas e limitar o aquecimento a 1,5°C. Para atingir essas metas, instituições, governos e empresas traçam estratégias de redução de emissões, geralmente organizadas e explicadas em um Plano de Descarbonização.
O Brasil, como signatário do Acordo, comprometeu-se a reduzir em 43% até 2030 suas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), tomando como referência os níveis de 2005. Para alcançar esse objetivo, Brasil, empresas e sociedade precisam se engajar de forma coordenada rumo a uma economia de baixo carbono, com metas claras e ações mensuráveis.
Neste artigo, você vai entender o conceito de descarbonização, como funciona um plano estruturado, a relação com o inventário de GEE e exemplos práticos de aplicação. Confira!
O que é descarbonização?
A descarbonização é o processo de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), em especial do gás carbônico (CO2), proveniente principalmente da queima de combustíveis fósseis em atividades industriais, energéticas e de transporte.
A descarbonização é relevante porque auxilia na redução dos efeitos das mudanças climáticas do planeta e protege ecossistemas vulneráveis. Na prática, descarbonizar envolve ações como aumentar o uso de energia renovável, investir em eficiência energética, otimizar operações e engajar fornecedores.
Mas por que se preocupar em reduzir essas emissões? Um dos Boletins de GEE lançado pela Organização Mundial da Meteorologia (OMM) em 2021 mostra que as emissões de gás carbônico bateram recorde, chegando a 149% acima do nível registrado antes da industrialização, principalmente devido à combustão de combustíveis fósseis e produção de cimento.
Lei Climática de junho de 2021
Para frear números como este, alguns países adotaram medidas mais severas por meio de leis climáticas vinculantes. A União Europeia (UE) aprovou em 2021 a Lei Climática Europeia para garantir o compromisso jurídico de zerar as emissões líquidas de gás carbônico até 2050 e reduzir as emissões em pelo menos 55% até 2030.
A Lei é um marco no enfrentamento das mudanças climáticas, pois propõe que o foco das organizações seja em reduzir emissões na fonte, em vez de trabalharem baseadas somente na compensação por créditos de carbono. Essa mudança de paradigma pressiona empresas — mesmo fora da Europa — a revisar cadeias de valor e criar planos de descarbonização estruturados.
Quais são os benefícios da descarbonização?
O processo de redução das emissões de carbono é uma das formas mais eficazes de manter a temperatura do planeta dentro dos níveis suportados, alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 13 , que trata da ação contra a mudança global do clima.
Além de mitigar riscos climáticos, a descarbonização traz consigo uma possibilidade de destacar o Brasil na agenda climática internacional e desenvolver novas tecnologias de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS).
A busca por uma economia net zero é também um dos pilares para a transição energética, que estimula o uso de fontes limpas e renováveis de energia com baixas ou zero emissões de carbono.
Um bom exemplo desse movimento é entender melhor a matriz energética brasileira e como ela se relaciona com a expansão de renováveis. Transição essa que pode impulsionar a geração de empregos verdes e redução de desigualdades sociais em comunidades vulneráveis.
Mapear as emissões por meio de inventários corporativos e criar estratégias robustas de descarbonização gera mais transparência com os stakeholders (investidores, clientes, fornecedores), impulsiona a credibilidade da companhia no mercado e dá visibilidade para novas práticas sustentáveis.

E o que é um Plano de Descarbonização?
O Plano de Descarbonização é um documento estratégico que apresenta quais serão as ações que serão realizadas para reduzir as emissões de GEE ao longo do tempo. Além disso, o Plano de Descarbonização também compartilha quais são as metas traçadas, os prazos para que elas sejam atingidas e os responsáveis por cada iniciativa.
Um plano bem estruturado funciona como um roteiro prático que conecta diagnóstico (inventário), metas baseadas em dados e iniciativas priorizadas por escopo. Isso, por sua vez, facilita decisões, investimentos e prestação de contas em um relatório de sustentabilidade.
O estado de Pernambuco, por exemplo, lançou um plano de descarbonização para zerar as emissões líquidas de GEE até 2050. No plano eles apresentam previsões de investimentos em tecnologias de baixo carbono e mobilidade elétrica. Eles também estimam que essa economia de baixo carbono seja capaz de movimentar R$ 20 bilhões a mais no PIB do estado.
Qual é a relação entre o Inventário GEE e a descarbonização?
Antes de tudo, para o desenvolvimento de um plano de descarbonização é fundamental mapear as fontes de emissão de sua companhia, por meio de um inventário estruturado e consistente. Sem esse diagnóstico quantitativo, fica impossível estabelecer metas realistas ou demonstrar progresso mensurável.
O Programa Brasileiro GHG Protocol, no qual a Serena é filiada desde 2021, adapta a metodologia internacional do GHG Protocol Corporate Standard e fica responsável por desenvolver ferramentas de cálculo das emissões de GEE padronizadas.
O registro público de emissões do Programa GHG Protocol facilita a divulgação e transparência dos resultados das emissões de GEE. Depois de publicados, os inventários são classificados entre selos: bronze (inventário parcial – apenas Escopo 1 e 2), prata (inventário completo – todos os escopos) e ouro (completo e verificado por organismo acreditado pelo Inmetro).
Além de apoiar metas climáticas, o inventário também conversa com práticas de gestão e governança, já que dados confiáveis ajudam a empresa a priorizar investimentos e reportar resultados com consistência. Se fizer sentido no seu contexto, vale aprofundar o tema de governança corporativa.
Qual é o plano de descarbonização da Serena?
O Plano de Descarbonização da Serena foi construído a partir dos dados relatados no Inventário GHG, ano base 2021, que classifica as emissões em 3 escopos distintos, sendo eles:
- Escopo 1: emissões diretas que vem das próprias fontes que pertencem ou controladas pela organização. Exemplos: combustão estacionária, automóveis, extintores, ar-condicionado, etc;
- Escopo 2: emissões indiretas relacionadas à compra de energia elétrica;
- Escopo 3: emissões indiretas da companhia. Exemplos: viagens a negócios, deslocamento casa-trabalho, bens e serviços comprados, transporte e distribuição, resíduos gerados na operação, etc.
Em 2022, além do mapeamento das emissões, a Serena conquistou o Selo Ouro certificado pelo GHG Protocol. Ao analisar os três escopos de emissões, especialmente o Escopo 1 e com base na projeção de crescimento da Serena, foram traçadas metas estratégicas a serem realizadas de forma integrada e que tem grande impacto socioambiental. Os pilares definidos foram: mitigação, comunicação, gerenciamento das emissões e compensação.
Dentro de cada escopo foram traçadas metas específicas como:
- Substituir em 100% o uso de combustíveis fósseis por biocombustíveis até 2028;
- Troca de equipamentos de refrigeração, entre outras ações;
- Otimização do uso de equipamentos à combustão fóssil;
- Automatização dos dados de geração de resíduos de operação;
- Incentivo de grupos de caronas solidárias.
O Plano de Descarbonização prevê a redução de 75% na intensidade de emissões de GEE da companhia dos escopos GHG 1 e 2 até 2030, além da neutralização dos 25% restantes via créditos de carbono. Além disso, o plano engloba medidas qualitativas de engajamento dos fornecedores e melhorias nas coletas de dados no caso de emissões do escopo 3.
Quando o tema é eletricidade renovável, algumas empresas também optam por instrumentos de rastreabilidade (quando aplicável), como certificados de energia limpa, para reforçar a transparência e a comprovação. Para entender essa lógica, veja: I-REC: quais os benefícios dos certificados de energia limpa.

Próximos passos para um plano de descarbonização eficaz
Estruturar um plano de descarbonização exige compromisso, dados confiáveis e revisões constantes para acompanhar o progresso e ajustar o rumo conforme necessário. A jornada climática não termina no plano: ela se estende para a execução, monitoramento e comunicação transparente com stakeholders.
Se a ideia é tirar a descarbonização do campo do projeto e levar para a estratégia do negócio, o próximo passo é entender como estruturar uma agenda mais ampla de impacto, indicadores e governança. Confira o guia “Sustentabilidade Empresarial: o que é e como implementar em seu negócio?” e veja como conectar metas ambientais ao dia a dia da operação.
Fazemos parte da Serena, uma das principais geradoras e comercializadoras de energia limpa do país, com 15 anos de experiência conectando pessoas e empresas a soluções sustentáveis e competitivas. Aqui no blog, você encontra conteúdos sobre o setor elétrico, Mercado Livre de Energia, sustentabilidade e transição energética, com explicações claras para apoiar decisões no seu dia a dia, seja na sua casa ou no seu negócio.
